L&PM Pocket e Livraria Travessa discutem o futuro das livrarias tradicionais

Ivan Pinheiro Machado, co-fundador da editora, e Rui Campos, fundador da livraria, conversaram com o público da Semana Caldeira

Uma conversa entre amigos: este foi o clima do painel ‘O fim do fim do livro’, que contou com a participação de Ivan Pinheiro Machado, co-fundador da editora L&PM Pocket, e Rui Campos, fundador da Livraria da Travessa. Durante o encontro, mediado por Felipe Pimentel, os convidados compartilharam momentos do início da carreira e falaram sobre o mercado literário. O evento aconteceu na tarde desta quinta-feira, quarto dia de programação da Semana Caldeira, em Porto Alegre.

“A gente, quando tem 20 anos, não tem medo”, disse Ivan, ao contar que o início da L&PM se deu durante o período da ditadura militar no Brasil. O primeiro livro publicado, que trazia críticas sociais e ironizava militares, causou inclusive uma convocação para prestar explicações a autoridades federais da época. Rui Campos concordou, e compartilhou que, na juventude, as decisões eram tomadas por “resistência somada ao entusiasmo juvenil”.

Os dois empresários também comentaram os dados a respeito da leitura no Brasil, divulgado pela Câmara Brasileira do Livro, que registra que 74% dos leitores do País são femininos. “Como livreiro, não como editor, eu notei o seguinte: a hegemonia das mulheres, disparada. É uma verdade que os homens estão ficando cada vez mais medíocres e as mulheres cada vez mais importantes”, disse Ivan. 

Sobre os repetidos anúncios que previram o fim dos livros ao longo dos tempos, Rui Campos disse que a visão pessimista vem desde os primórdios da literatura. O livreiro relembrou que já houve discussões que consideravam a publicação um retrocesso, pois impedia a naturalidade da transmissão de conteúdo via oralidade. Felipe concordou, e disse crer que é exatamente a materialidade do livro físico que o mantém vivo, já que a sensação não pode ser replicada em objetos eletrônicos.

“E hoje não é uma coisa brasileira, é do mundo todo! Apesar de todas as ameaças, de várias situações, você vê o livro ganhando espaço, carinho, amor do público, cada vez mais. É claro que a ameaça permanece, porque aí é uma discussão longa e complexa, mas o nosso mercado  livreiro sofre ameaça exatamente por ele ser muito interessante”, afirmou Rui. Ivan completou afirmando que “o livro não renasce, porque não morre”.


A equipe de Coletiva.net está presente na Semana Caldeira, realizada de 21 a 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Luma Costa, Márcia Christofoli, Márcia Dihl, Patrícia Lapuente Sarah Acosta, as assistentes de Redação Ana Rosa Scheibe e Ronise Garcia, bem como a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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