Mari Krüger abre Feevale Summit com alerta sobre desinformação nas redes

Divulgadora científica subiu ao palco do Teatro Feevale na noite desta terça-feira

Mari afirmou que as notícias falsas seguem métodos que facilitam a aceitação pelo público. - Crédito: Coletiva.net

O Novo Hamburgo Feevale Summit 2026 foi aberto na noite desta terça-feira, 15, com um alerta sobre a circulação de conteúdos falsos nas redes sociais. No palco do Teatro Feevale, a influenciadora e divulgadora científica Mari Krüger apresentou para mais de 1.800 pessoas a palestra ‘Desinformação na era das redes’ e resumiu o desafio enfrentado por quem produz conteúdo responsável: “Desinformar dá audiência. Informar dá trabalho”.

Ao abordar a relação dos brasileiros com as plataformas digitais, Mari citou uma pesquisa do Datafolha segundo a qual mais da metade da população utiliza as redes para buscar informações sobre saúde. “Seja para sanar alguma dúvida ou porque foi impactada durante a navegação”, explicou.

O problema se agrava diante da dificuldade de reconhecer conteúdos enganosos. “Temos notícias falsas sobre coisas que a gente sempre soube, como o uso de protetor solar. Ou notícias que nos acompanham há décadas, como a que diz que o uso do micro-ondas faz mal e destrói os nutrientes dos alimentos”, afirmou.

Inteligência Artificial amplia o desafio

Embora a desinformação não seja uma novidade, a popularização da Inteligência Artificial acrescentou novas camadas ao problema. Segundo a divulgadora científica, as notícias falsas seguem métodos que facilitam a aceitação pelo público. “É muito fácil acreditar em uma fake news quando ela chega ao lugar de uma crença preestabelecida, de algo em que a gente queria acreditar”, observou.

Essas publicações costumam mobilizar emoções ou apresentar soluções simples para problemas complexos. A confiança depositada em quem compartilha o conteúdo também favorece sua aceitação, enquanto a falta de tempo e de atenção reduz a possibilidade de uma análise mais cuidadosa do que aparece no feed.

Credibilidade como escolha

Durante a palestra, Mari apresentou o conceito de “desinfluenciadores”, utilizado por ela para definir criadores que exibem uma vida irreal e associam a possibilidade de alcançá-la a discursos, hábitos ou produtos sem sustentação. Ao contar a própria trajetória, a palestrante se definiu como uma influenciadora que “detesta influenciadores”. Antes de chegar à produção de conteúdo, trabalhou como modelo infantil, fez cursos de atuação para comerciais e construiu uma carreira como DJ.

Paralelamente, formou-se em Biologia, área escolhida a partir do desejo, cultivado desde a infância, de contribuir com transformações sociais e ambientais. Quando se preparava para iniciar um mestrado em Ecologia, porém, decidiu priorizar o trabalho como DJ, que naquele momento se mostrava mais viável financeiramente.

Uma reviravolta, no entanto, ocorreu em 2020, quando os compromissos profissionais foram cancelados em razão da pandemia. Foi nesse período que Mari começou a publicar vídeos sobre Biologia e, à medida que o conteúdo alcançava mais pessoas, passou a receber propostas publicitárias.

Ao conhecer melhor o mercado de influência, deparou-se com criadores que promoviam produtos e hábitos relacionados à saúde sem comprovação, entre eles itens detox, cremes e gomas para o crescimento do cabelo. A partir dessa percepção, decidiu estudar o funcionamento do mercado antes de ampliar sua atuação. 

O cuidado também passou pela seleção das empresas às quais aceitaria associar sua imagem, inclusive com a recusa de propostas que não correspondiam ao conteúdo que produzia. “Credibilidade não tem preço”, declarou.

Humor aproxima público da ciência

O humor foi apontado pela influenciadora como uma ferramenta para tornar o conhecimento científico mais acessível. “A pessoa acha que assistirá a um vídeo engraçadinho e encontra conhecimento, referência e ciência. Ela aprende sem perceber que estava aprendendo”, explicou. Na avaliação de Mari, o recurso não reduz a credibilidade do conteúdo, mas amplia suas possibilidades de circulação.

Para Mari, munir as pessoas com informações que elas possam, inclusive, repassar para outras representa o ponto mais alto da divulgação científica: “Se a desinformação já está on-line, acredito que a informação também precisa estar”.

O Novo Hamburgo Feevale Summit 2026 seguirá nesta quarta, 16, e quinta-feira, 17, no Câmpus II da Universidade Feevale. Em sua quarta edição, o evento reunirá mais de 100 palestrantes para discutir temas como inovação, tecnologia, saúde, economia criativa, educação e futuro do trabalho.


A equipe de Coletiva.net está presente no Feevale Summit, realizado de 15 a 17 de setembro, em Novo Hamburgo. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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