
Mantendo mais uma das tradições do Festival de Cinema de Gramado, Maria Fernanda Cândido, uma das agraciadas com o prêmio Kikito de Cristal em 2026, visitou a fábrica da Cristais Gramado na tarde desta sexta-feira, 21, para participar da produção do troféu que será entregue ao homenageado do próximo ano. O reconhecimento é destinado a expoentes artísticos que possuem trajetória expressiva internacionalmente.
A novidade deste ano é que, pela primeira vez, dois artistas receberam o reconhecimento no mesmo ano. Maria Fernanda e Selton Mello, que produziu o troféu entregue à colega no dia anterior.
Para além da cerimônia que envolve a retirada do cristal incandescente da fornalha e a prensa que dá forma à estatueta, manuseada pelo homenageado, o evento contou com um passeio pelas instalações da Cristais Gramado. Posteriormente, houve um bate-papo a respeito da técnica centenária de modelagem artesanal e, posteriormente, uma coletiva de imprensa com o artista convidado.
Ao longo da visita, o público presente pode ainda presenciar demonstrações do trabalho desenvolvido pelos artesãos da fábrica. Além disso, apreciar uma apresentação musical com harpa de vidro – técnica que utiliza taças para emitir notas musicais.
Durante a coletiva, Maria Fernanda ressaltou a satisfação de ter sua trajetória profissional reconhecida e lembrou com carinho que recebeu o troféu por seu primeiro trabalho cinematográfico, na edição de 2003. “Eu vim assim, de coração muito aberto, receber esse reconhecimento e estou muito feliz, sentindo-me muito honrada. Eu fiz o meu primeiro filme, que foi o ‘Dom’, que me deu o Kikito de Melhor Atriz. O primeiro festival que pisei foi este aqui.”
Falando sobre a carreira internacional, a atriz discorreu sobre a experiência de participar do filme ‘Animais Fantásticos: os segredos de Dumbledore’, da saga Harry Potter. Na ocasião, destacou, especialmente, o grande orçamento e a infraestrutura tecnológica utilizada na produção.
Aporte este que, segundo a atriz, não substituiu a necessidade de atuação técnica e crua em cenas emblemáticas da obra. Esse foi o caso de sua interação com uma criatura mítica inexistente, que só foi inserida posteriormente por meio de computação gráfica na fase de pós-produção.
“Mesmo em uma produção desse tamanho, a gente precisa ter a disponibilidade interna para esse jogo, essa brincadeira, esse básico do nosso ofício que é imaginar e brincar”, defendeu Maria Fernanda. Ao relembrar outras produções de sua carreira, como projetos baseados em obras literárias de Clarice Lispector e Machado de Assis, ela compartilhou que uma das maiores satisfações em ter trabalhos reconhecidos internacionalmente é poder levar a cultura brasileira a outros públicos.

