Entre os dias 30 de julho e 1º de agosto aconteceu, em São Paulo, a 21ª edição do Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Não se engane ao imaginar que se trata de um evento voltado exclusivamente ao jornalismo investigativo. Ao longo dos anos, o congresso consolidou-se como um dos maiores encontros de jornalismo do país e um retrato dos desafios, das transformações e das oportunidades que atravessam a profissão.
Por isso, ou justamente para dar conta dessa complexidade, o evento reúne trilhas que vão dos temas que dominam o noticiário, como clima, segurança pública e eleições, até discussões sobre inteligência artificial, empreendedorismo e novos modelos de negócio para o jornalismo.
Além da qualidade do conteúdo, chamou a atenção o nível dos profissionais que conduziram mesas, palestras, sabatinas e oficinas ao longo dos três dias de programação. Eram referências em suas áreas ou pessoas capazes de oferecer reflexões inspiradoras a um público extremamente participativo. Também merece destaque o cuidado da organização em garantir diversidade entre os palestrantes, reunindo diferentes gerações, regiões do país, trajetórias e perspectivas.
Um dos momentos que mais me marcou foi uma mesa sobre livro-reportagem. Entre os convidados estava Kimberly, uma jornalista de apenas 21 anos, que contou sua experiência ao escrever o primeiro livro, resultado de um prêmio conquistado com seu Trabalho de Conclusão de Curso. Ela traduzia tudo aquilo que mais admiro no jornalismo: um olhar atento para encontrar uma boa história, sensibilidade para construir relações com as fontes e rigor para transformar esse processo em uma narrativa envolvente. Ver jovens ocupando esse espaço renova o entusiasmo de quem já está na profissão e inspira aqueles que estão apenas começando.
Se pudesse fazer uma sugestão à organização, seria ampliar o congresso em mais um dia. Há tantas atividades interessantes acontecendo simultaneamente que, muitas vezes, a decisão sobre qual mesa acompanhar se torna quase impossível. Também senti falta de uma programação maior dedicada aos lançamentos de livros, momentos que aproximam autores e leitores e revelam mais uma possibilidade de atuação profissional para jornalistas.
Pessoalmente, foi a minha primeira participação no congresso. Em determinado momento, a repórter especial do Fantástico, Sonia Bridi, comentou que todo jornalista é um pouco nerd. Ri imediatamente, porque me reconheci naquela definição. Durante aqueles dias, fui essa nerd novamente: sentei nas primeiras filas e fiz anotações em um caderno que, convenhamos, continua sendo um dos instrumentos mais fiéis da profissão.
Saio do congresso feliz pelas conversas, pelos aprendizados e pelos novos contatos. E talvez esse sentimento tenha um significado ainda maior porque tudo isso acontece justamente no ano em que completo 25 anos de vida profissional. O jornalismo mudou profundamente, mas, ainda assim, sua essência permanece intacta. Em tempos de tantas transformações, talvez defender o jornalismo seja, antes de tudo, continuar acreditando no seu valor. Todos os dias.
Carol Rispõlí é jornalista e fundadora da Emanacom.

