
O avanço das fraudes digitais e o aumento do uso da inteligência artificial por criminosos geram novos desafios para governos e organizações públicas. O tema foi abordado por Sebastião Borges Fonseca, analista do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), durante palestra realizada na tarde desta quarta-feira, 3, no GovTech Summit, realizado no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.
Na apresentação, o especialista destacou que a popularização de ferramentas de IA trouxe uma nova camada de complexidade para os sistemas de proteção digital. De acordo com Fonseca, instituições agora precisam identificar não apenas pessoas, mas também identidades não humanas e comportamentos automatizados capazes de simular ações legítimas.
Ele destacou que, embora os crimes cibernéticos cresçam, apenas 4% deles são realmente investigados. Neste contexto, tecnologias como os deepfakes passaram a representar uma ameaça cada vez maior em processos de autenticação e validação de identidade. “É comum o cidadão não saber o que fazer quando vítima de uma fraude mais sofisticada. E esse combate não é padronizado”, acrescentou.
Segundo ele, contudo, a luta contra as fraudes precisa partir da compreensão do desafio antes da adoção de qualquer medida. “Não basta ter a tecnologia e o produto sem antes entender o problema”, afirmou.
Recursos de proteção
Como operador tecnológico do governo federal, o Serpro atua no desenvolvimento de soluções para reduzir tentativas de fraude em serviços públicos digitais. Entre os recursos utilizados estão validações em bases de dados e autenticação biométrica, porém, isso não é suficiente por si só.
Para reforçar a segurança, o Serpro combina diferentes mecanismos de proteção, incluindo autenticação multifator, análise de geolocalização, biometria, listas de bloqueio e monitoramento comportamental. Também são utilizadas técnicas capazes de identificar padrões suspeitos por meio da análise de movimentos do mouse, interação com o teclado e comportamento de navegação.
Entre as ferramentas apresentadas por ele está o Online Fraud Detection (OFD), plataforma que busca identificar e prevenir ações fraudulentas em tempo real nos ambientes digitais. A solução utiliza sistemas de pontuação de risco que permitem aos gestores definir automaticamente ações como bloqueios temporários ou validações adicionais.
O especialista também ressaltou a importância da cooperação entre instituições públicas para fortalecer a prevenção. Como exemplo, apresentou o Observatório Nacional Antifraude (Onac), iniciativa que reúne órgãos públicos, entidades reguladoras e parceiros privados para compartilhar conhecimento, dados e estratégias de proteção digital.
Com o apoio da Prefeitura de Canoas e, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.

