Coberturas

Novas emoções transformam a relação de consumidores e marcas, aponta Márcia Budke

Painel no Feevale Summit discutiu ansiedade e busca por pertencimento, e como as mudanças emocionais impactam decisões de compra

Cofundadora e sócia-diretora da BrazoMídia, Márcia Budke. - Crédito: Coletiva.net.

A cofundadora e sócia-diretora da BrazoMídia, Márcia Budke, que também é professora universitária e palestrante nas áreas de Comunicação, Tecnologia e Inovação, conduziu o painel ‘As novas emoções que influenciam a decisão de compra do consumidor’. Nesta quarta-feira, 16, durante o Feevale Summit 2026, a especialista relacionou transformações sociais, hiperconectividade e cansaço mental às novas formas de consumir, e defendeu que as marcas precisam compreender o contexto emocional do público para construir relações mais relevantes.

Ela também lembrou que a ciência das emoções serviu de referência para a construção dos personagens de ‘Divertida Mente’, da Pixar, cuja sequência promoveu a discussão ao apresentar sentimentos como ansiedade, vergonha, inveja e tédio. É justamente essa ampliação que ajuda a compreender o consumidor contemporâneo, segundo Márcia. Depois da pandemia, as emoções passaram a aparecer de maneira mais embaralhada, sensível e ambígua, enquanto a hiperconectividade acrescentou novas camadas à experiência cotidiana. 

Reduzir a chamada ‘fricção emocional’ passa a ser uma estratégia importante para as marcas. Em vez de oferecer cada vez mais alternativas, empresas podem trabalhar com curadoria, recomendações inteligentes, navegação intuitiva, clareza nas informações e processos de compra simplificados. Márcia também destacou a necessidade de criar segurança psicológica por meio de uma linguagem mais humana, transparência e previsibilidade, além de proporcionar conforto, acolhimento e conexão real em experiências físicas e digitais.

Emoções digitais

A hiperconectividade também vem acompanhada de um conjunto de emoções e comportamentos que já começam a aparecer no vocabulário do consumo. Entre eles estão o FOMO (‘fear of missing out’), associado ao medo de ficar de fora, e o JOMO (‘joy of missing out’), relacionado ao prazer de se desconectar; o doomscrolling, caracterizado pelo consumo contínuo de notícias negativas; e a ecoansiedade, ligada à preocupação persistente com o futuro do planeta e eventos como crises climáticas. Márcia ainda citou a nomofobia, relacionada ao desconforto ou medo de ficar sem o celular, além do movimento de retomada do marketing nostálgico como uma forma de buscar referências consideradas mais seguras diante de um futuro percebido como incerto.

Para as marcas, compreender essas transformações significa ir além da venda e buscar reconhecimento emocional por parte do público. Márcia falou sobre a humanização das marcas, a conexão com propósito e a criação de experiências que considerem diferentes elementos sensoriais, como cores, sons e ambientes. Ela também citou o storytelling como ferramenta estratégica, já que histórias com começo, meio e fim mobilizam emoções e contribuem para a formação de memórias afetivas.

Ao olhar para o avanço da IA, a especialista apontou ainda novas possibilidades para identificar e compreender emoções, mas reforçou que a tecnologia não elimina a necessidade de conexão humana. Em um ambiente de informação praticamente infinita e atenção cada vez mais disputada, a presença tornou-se um ativo valioso para as marcas. 

A equipe de Coletiva.net está presente no Feevale Summit, realizado de 15 a 17 de setembro, em Novo Hamburgo. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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