
“O negacionismo não é ideológico. Ele é econômico.” A frase da jornalista Sônia Bridi, da TV Globo, marcou o encerramento da mesa ‘Clima depois da COP: como transformar urgência em rotina editorial’, realizada na manhã desta quinta-feira, 30, durante o 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Sônia esteve ao lado da repórter Valéria Oliveira, do g1 Roraima, com mediação de Paula Bianchi, editora da Repórter Brasil e diretora da Abraji. As jornalistas compartilharam experiências e reflexões sobre os desafios de transformar a cobertura da crise climática em uma pauta permanente e transversal nas redações.
A partir de diferentes vivências, Sônia e Valéria mostraram como o Jornalismo pode ampliar a compreensão sobre as mudanças climáticas ao conectar o tema com o cotidiano das pessoas e com diferentes áreas da sociedade. A jornalista da Rede Globo ainda relembrou sua trajetória na cobertura ambiental desde a Eco-92.
Ela destacou que, apesar dos avanços, o clima ainda precisa ocupar um espaço mais central no noticiário. “Clima se relaciona muito com saúde, economia, educação e, sobretudo, política. Precisamos ver esse assunto ser mais abordado por essas editorias e também pelos políticos”, afirmou. Para ela, a cobertura deve ir além da descrição dos eventos extremos, contextualizando suas causas e apontando soluções. “Quem está lucrando com isso? Siga o dinheiro”.
Valéria trouxe a perspectiva de quem cobre a Amazônia e ressaltou a relevância do trabalho em rede entre jornalistas, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. “É fundamental criar uma boa rede de contatos. Se recebo uma informação que pode me colocar em risco, compartilho com colegas de confiança. O importante é que aquele assunto seja publicado.” Ela também abordou os desafios de atuar em territórios onde todos se conhecem e os impactos emocionais da profissão. “A gente acaba criando uma casca, mas isso não significa que não nos afete.”
Outro ponto de convergência entre as palestrantes foi a valorização do jornalismo independente. Para ambas, iniciativas locais e veículos alternativos desempenham um papel essencial ao ampliar a cobertura de temas ambientais e estimular a imprensa tradicional a aprofundar esse debate. Como destacou Sônia, “esses veículos cutucam os grandões da mídia a se mexerem e a melhorarem enquanto imprensa”.
Por fim, reforçaram que a cobertura climática não pode permanecer restrita às editorias de meio ambiente. Isso porque ela exige um olhar integrado e permanente do jornalismo para um dos maiores desafios do nosso tempo.
Entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, o Coletiva.net traz uma cobertura especial do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Com relatos de Carolina Rispõlí, da Emanacom, direto de São Paulo, os leitores acompanharão debates, bastidores e tendências do evento, em conteúdos exclusivos para o portal, a Coletiva.rádio e as redes sociais.

