
Na manhã deste domingo, 16, os diretores do longa ‘O Projeto’ Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic participaram de uma coletiva de imprensa mediada pelo jornalista Roger Lerina. Entre o público presente estava a curadora do festival, Camila Morgado, e aprofundou temas que atravessam a narrativa do longa.
Exibido pela primeira vez na noite deste sábado, 15, no 54º Festival de Cinema de Gramado, o documentário ‘O Projeto’ abriu a mostra de Longas-Metragens Documentais Brasileiros. A obra tem como proposta investigar os impactos históricos e contemporâneos do colonialismo e do racismo a partir de diferentes perspectivas e experiências de vida.
Durante a conversa com a imprensa, Sabrina compartilhou vivências pessoais que ajudaram a construir a narrativa do filme. A diretora relembrou episódios da infância relacionados aos padrões estéticos impostos à população negra e refletiu sobre como essas violências simbólicas permanecem presentes em diferentes contextos sociais.
Ela citou práticas como o clareamento da pele e o alisamento dos cabelos como exemplos de heranças culturais associadas à valorização de padrões eurocêntricos de beleza.“O projeto passa pelo corpo também”, observou. “São violências que continuam reverberando e moldando a forma como as pessoas se enxergam e são vistas.”
A cineasta destacou ainda a influência do livro ‘Memórias da Plantação’, de Grada Kilomba, uma das entrevistadas do documentário. A obra ajudou a ampliar sua compreensão sobre os impactos psicológicos e sociais do racismo e do colonialismo, especialmente em contextos contemporâneos.
Para além da culpa
Um dos temas debatidos durante a coletiva foi a diferença entre culpa e responsabilidade quando o assunto é racismo estrutural e heranças coloniais. Sabrina ressaltou que o filme não busca atribuir culpas individuais, mas compreender sistemas históricos que seguem produzindo desigualdades.
Yvan, por sua vez, afirmou que uma das intenções do documentário é estimular reflexões sobre o papel das pessoas privilegiadas diante dessas estruturas. “O primeiro passo é entender que não estamos (as pessoas brancas) fora do problema. Fazemos parte dele. A partir desse ponto, precisamos compreender quais são as nossas responsabilidades e o que podemos fazer para contribuir com mudanças”, frisou.
Memórias, corpos e violências herdadas
Ao longo do debate, Sabrina também compartilhou experiências pessoais que ajudaram a construir a narrativa do filme. A diretora relembrou episódios da infância relacionados aos padrões estéticos impostos à população negra e refletiu sobre como essas violências simbólicas permanecem presentes em diferentes contextos sociais.
Ela citou práticas como o clareamento da pele e o alisamento dos cabelos como exemplos de heranças culturais associadas à valorização de padrões eurocêntricos de beleza.
“O projeto passa pelo corpo também”, observou, ao completar que: “São violências que continuam reverberando e moldando a forma como as pessoas se enxergam e são vistas”.
A cineasta destacou ainda a influência do livro ‘Memórias da Plantação’, de Grada Kilomba, uma das entrevistadas do documentário. A obra ajudou a ampliar sua compreensão sobre os impactos psicológicos e sociais do racismo e do colonialismo, especialmente em contextos contemporâneos.
Sobre o longa
Coproduzido por Canal Brasil, Globo Filmes e GloboNews, o documentário foi filmado em diversos países e acompanha o encontro entre os olhares de Sabrina, uma cineasta afro-brasileira, e Yvan, fotógrafo suíço. Ao longo da jornada, a dupla investiga questões relacionadas à raça, aos privilégios, ao pertencimento e às marcas deixadas pelo colonialismo em diferentes sociedades.
A obra reúne depoimentos de personalidades como a filósofa Djamila Ribeiro, a deputada federal Erika Hilton e a escritora e psicóloga Grada Kilomba, uma das principais referências internacionais nos estudos sobre colonialismo e racismo. O filme estreia em 19 de novembro de 2026, na véspera do Dia da Consciência Negra

