Psicóloga que viu pai e irmão serem assassinados sensibiliza público no Summit Empreender 40+

Luciana Deretti transformou uma trajetória marcada por perdas, rejeições e medo do câncer em mensagem sobre protagonismo e inteligência emocional

A felicidade tem CPF. Ela é única e intransferível”, destacou a psicóloga Luciana Deretti durante palestra - Crédito: Coletiva.net

A segunda palestra do Summit Empreender 40+, realizado nesta quarta-feira, 13, Teatro Bourbon Country (Av Túlio de Rose, 80), no bairro Passo d’Areia, em Porto Alegre, foi marcada por um relato que prendeu a atenção do público dos primeiros minutos até o fim da fala da painelista. A psicóloga Luciana Deretti, que presenciou, ainda criança, o assassinato do pai e do irmão em 1998, subiu ao palco para falar sobre como transformou uma história de dor em combustível para o protagonismo profissional e pessoal.

Luciana cresceu em Santa Rosa com uma mãe de saúde frágil, frequentemente internada, e carregou desde cedo o peso de uma vida sem espaço para fragilidades. O irmão, que cursava Medicina, foi uma das vítimas. Mesmo diante da tragédia, ela escolheu a Psicologia,  contrariando quem dizia que seus problemas a impediria de ouvir as aflições alheias. A rejeição veio cedo: em um exame psicotécnico, foi reprovada. A justificativa da universidade era de que sua história de vida era incompatível com o exercício da profissão.

Sobre os “nãos” da vida

“Preste atenção aos nãos da sua vida”, disse ela ao público, relembrando o argumento que ouvia à época, e que escolheu ressignificar ao persistir no sonho e completar a graduação em Psicologia na Unisinos. Casada, foi morar em Santa Cruz do Sul e levou seis meses para conquistar o primeiro paciente. Em poucos meses, o consultório estava lotado.

Aos 40 anos, um exame de sangue trouxe novo susto: o medo de um diagnóstico de câncer. O resultado revelou uma doença autoimune. “A gente precisa aprender a reconhecer a finitude da vida. Nós nunca sabemos o dia de amanhã”, refletiu. 

No palco, ela transformou essa trajetória em mensagem. “Todos nós podemos ser vítimas ou protagonistas do nosso destino. A gente se agarra ao que passou para dizer que não pode ser feliz.” Para Luciana, honrar o passado é diferente de ser prisioneiro dele. Ela falou sobre inteligência emocional, cognitiva e espiritual como recursos fundamentais para o desenvolvimento humano, e alertou para a confusão entre protagonismo e egocentrismo. “Não existe conquista e sucesso sem virtude”, afirmou.

A psicóloga encerrou com uma frase que resumiu sua visão: “A felicidade tem CPF. Ela é única e intransferível. Felicidade é uma competência – e para isso precisamos de disciplina. E disciplina é liberdade”, concluiu. 


A equipe do Coletiva.net está presente na segunda edição do Summit Empreender 40+. A cobertura conta com as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta, e a social media Anie Cristine Gabriel. Acompanhe em tempo real pelo portal Coletiva.net, Facebook, Threads, Instagram e Coletiva.rádio.

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