Semana Caldeira: diretor da Globo define vídeos verticais como “nova linguagem”

Estratégia iniciada em 2025 pela emissora envolve marcas como G1, ge e Gshow, e usa o formato para complementar produções tradicionais

Rodolfo Bastos falou com a reportagem do Coletiva.net. - Crédito: Comunicação Caldeira.

A Globo tem apostado na produção de vídeos verticais para ampliar as formas de consumo de seus conteúdos. Iniciado em 2025, o processo envolve marcas como G1, ge e Gshow e, segundo o diretor de Produtos de Publishing da empresa, Rodolfo Bastos, representa mais do que uma adaptação de formato. “O vídeo vertical é, de fato, uma nova linguagem”, afirmou, em entrevista ao Coletiva.net.

Para incorporar essa linguagem, a empresa precisou promover mudanças em toda a cadeia de produção. Captação, edição, ritmo, grafismos e pós-produção passaram a ser pensados especificamente para o consumo em telas verticais. Apesar do investimento, Bastos ressaltou que a estratégia não pretende substituir os conteúdos tradicionais, mas acrescentar uma nova possibilidade de entrega ao público.

A evolução do projeto também tem sido orientada por dados sobre o comportamento da audiência. Para o executivo, a facilidade de criação e distribuição, ampliada pelas ferramentas de Inteligência Artificial (IA), deve provocar uma pulverização ainda maior da oferta de conteúdo. Esse cenário, porém, também pode intensificar a padronização das produções.

“Quem tiver, de fato, algo diferente para contar vai ganhar força”, avaliou. Na visão dele, o mercado tende a caminhar para dois extremos. De um lado, estará a produção em grande volume, na qual os anunciantes compram principalmente audiência. Do outro, conteúdos mais aprofundados e originais, capazes de formar comunidades e oferecer experiências complementares ao público.

Variedade de formatos

Nesse processo, ganha espaço o conceito de “conteúdo líquido”: uma mesma mensagem que pode assumir diferentes formatos conforme o tempo e o contexto de consumo de cada pessoa. Uma reportagem, por exemplo, pode se transformar em resumo, tópicos, áudio, vídeo longo ou vídeo curto, sem perder sua informação central.

Entre as tendências observadas pela Globo estão os microdramas, produções seriadas de curta duração que vêm ganhando espaço em plataformas digitais. Bastos acredita que o movimento deve se estender para outros gêneros. “Não vai parar na micronovelinha. Vai ter micro-reality, microdocumentário, micro tudo”, projetou.

Segundo ele, esses produtos atendem especialmente aos momentos de ‘microtédio’, expressão utilizada para definir pequenos intervalos nos quais o usuário não sabe quanto tempo terá disponível, mas deseja consumir algum conteúdo. São situações como deslocamentos, esperas ou pausas rápidas ao longo do dia. “O conteúdo curto vai servir em momentos diferentes. Não vejo como algo que substitua o conteúdo longo”, reforçou.

GloboPop

Uma das frentes dessa estratégia é o GloboPop, plataforma da Globo dedicada a vídeos curtos verticais. Bastos explicou que o produto não é uma rede social, mas um ambiente com curadoria da empresa, que reúne conteúdos de jornalismo, esporte e entretenimento, além de produções de criadores convidados.

Atualmente, o GloboPop conta com cerca de 29 criadores de conteúdo e com o coletivo Foi Cena! entre seus publicadores. A plataforma também prepara sua primeira série original e exclusiva, protagonizada por Susana Vieira. O lançamento, previsto para outubro, reforça a intenção da Globo de avançar na produção de formatos desenvolvidos especialmente para o consumo vertical.


A equipe de Coletiva.net está presente na Semana Caldeira, realizada de 21 a 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Luma Costa, Márcia Christofoli, Márcia Dihl, Patrícia Lapuente e Sarah Acosta, as assistentes de Redação Ana Rosa Scheibe e Ronise Garcia, bem como a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook, Threads e X — e conteúdos exclusivos no Instagram.

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