A criação de raízes nos mercados locais é fundamental para que clubes, ligas e franquias esportivas internacionais transformem presença em relevância e negócios. A avaliação foi compartilhada na Semana Caldeira pelos participantes do painel ‘Brasil em jogo: como marcas esportivas globais transformam presença em relevância, fãs e negócios’, que contou com representantes de LaLiga, Miami Dolphins e Osasuna.
O painel foi realizado nesta terça-feira, 22, na Arquibancada Banrisul, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Representante do Club Atlético Osasuna, da LaLiga, João Pedro Castilhos destacou que o movimento de internacionalização dos clubes brasileiros ainda é incipiente e que, para gerar resultados econômicos, é necessário desenvolver uma presença consistente nos mercados escolhidos. “Se a gente não criar raízes no mercado, é quase impossível desenvolver uma atividade econômica que vai gerar relevância e resultado”, destacou.
Estrutura internacional
Henrique Pardo Dias, representante do Miami Dolphins, explicou que a estratégia da National Football League (NFL) para ampliar sua presença internacional passa por diferentes frentes. Entre elas está o Global Markets Program, que inclui a realização de jogos fora dos Estados Unidos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do esporte.
Segundo ele, a NFL tem nove jogos internacionais previstos e utiliza essas partidas como uma das principais ferramentas para aproximar a liga dos torcedores de outros países. Outra frente é o desenvolvimento do flag football, modalidade que, conforme destacou, tem caráter mais inclusivo e faz parte da estratégia de ‘grow the game’ da Liga.
LaLiga aposta em estruturas locais
Marina Tepedino, representante da LaLiga, contou que a entidade também vem reformulando sua estrutura internacional. O projeto começou em 2017, com a LaLiga Global Network, que chegou a reunir cerca de 40 delegados em diferentes territórios.
Com o passar dos anos, a organização passou a concentrar sua atuação em seis escritórios internacionais, localizados em mercados considerados estratégicos. A mudança, segundo Marina, acompanha a necessidade de uma presença mais próxima e específica em cada país.
No Brasil, essa estratégia também considera o comportamento do público. Marina destacou que o país já ocupa a primeira posição entre os mercados da LaLiga nas redes sociais, embora represente apenas cerca de 2% da audiência total da entidade.
Para ela, uma das oportunidades está justamente em adaptar a comunicação ao público brasileiro. “Quando a minha audiência vê que a minha rede está com a cara do Brasil, com o jeitinho brasileiro, isso é outra forma de interação”, salientou.
Presença precisa virar pertencimento
A discussão também passou pela diferença entre simplesmente estar presente em um território e efetivamente criar uma relação com o público. Para João Pedro, do Osasuna, entender o que cada clube tem de particular e transformar esse diferencial em estratégia é parte fundamental do processo.
Henrique destacou a importância da humanização na relação com os fãs. Para ele, a conexão pode ser construída a partir de jogadores, experiências e histórias que aproximem a franquia do público local. Como exemplo, citou ações do Miami Dolphins no Brasil e a presença de um ex-jogador brasileiro da equipe em atividades com crianças.
Oportunidades para marcas
A internacionalização também abre novas possibilidades comerciais. Henrique explicou que as propriedades esportivas podem ser adaptadas para diferentes mercados, permitindo que marcas locais ou globais tenham ativações específicas de acordo com o território.
Marina comentou que a LaLiga também trabalha para aproximar patrocinadores globais e parceiros locais das oportunidades existentes no Brasil. A entidade possui marcas com atuação internacional e busca desenvolver entregas específicas para cada território.
Para os participantes, o processo de internacionalização passa, portanto, por uma combinação de estratégia, presença local, conteúdo, relacionamento com torcedores e capacidade de transformar propriedades esportivas em experiências relevantes para cada mercado.

