Web Summit RJ: Debate sobre IA vai além da regulação

Especialistas afirmaram que o Brasil precisa investir em formação, software livre e desenvolvimento tecnológico próprio

Luciana Magalhães, Bruno Lewicki e Ronaldo Lemos participaram do painel 'Podemos abrir a IA?'. Crédito: Web Summit

O Brasil precisa preparar sua população e fortalecer seu ecossistema tecnológico para aproveitar as oportunidades da inteligência artificial. Foi o que defenderam especialistas durante o painel ‘Podemos abrir a IA?’, realizado nesta terça-feira, 9, no Web Summit Rio, no Riocentro, Barra da Tijuca. O bate-papo reuniu  Bruno Lewicki, head de Public Policy para a América Latina da OpenAI, e Ronaldo Lemos, membro do Oversight Board, com mediação da repórter da Reuters Luciana Magalhães.

Ao abordar os desafios da tecnologia, Lewicki destacou que empresas, plataformas e autoridades eleitorais já trabalham em conjunto para reduzir riscos associados ao uso da IA. Como exemplo, citou ferramentas capazes de identificar conteúdos gerados artificialmente por meio de marcações invisíveis, ampliando a rastreabilidade de imagens e outros materiais produzidos por inteligência artificial.

Regulação e desenvolvimento

Os painelistas também discutiram o projeto de regulamentação da IA em tramitação no Congresso Nacional. Para Lewicki, o debate não deve se limitar aos riscos da tecnologia, mas incluir estratégias para fomentar inovação, qualificação profissional e desenvolvimento econômico. Segundo ele, o País precisa construir políticas públicas capazes de responder aos impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, no meio ambiente e em outros setores da sociedade.

Na avaliação de Ronaldo Lemos, além das regras de uso, é fundamental discutir o alinhamento dos sistemas de IA aos interesses coletivos e a capacidade de auditar modelos cada vez mais complexos. O especialista ressaltou que, à medida que as ferramentas evoluem, cresce a necessidade de mecanismos de governança que garantam segurança e transparência.

Aposta no software livre

Encerrando o painel, Lemos defendeu investimentos em desenvolvedores brasileiros e em iniciativas de software livre, lembrando a tradição do País nesse segmento. Segundo ele, o objetivo deve ser reduzir a dependência de grandes plataformas estrangeiras e ampliar a capacidade nacional de desenvolver soluções adaptadas à realidade brasileira. A fala foi recebida com aplausos pela plateia.

O painel integrou a programação do Web Summit Rio 2026, realizado durante quatro dias no Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro. O evento reúne empresas, startups, investidores e especialistas para discutir tendências em tecnologia, inovação e negócios.

A equipe de Coletiva.net está presente na quarta edição do Web Summit Rio de Janeiro, realizado em 8 e 11 de junho, no Riocentro, na Barra de Tijuca, na capital fluminense. Durante a cobertura, as jornalistas Márcia Christofoli e Márcia Dihl produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram, além de drops na Coletiva.rádio. 

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