
Durante os últimos anos, a Inteligência Artificial passou a integrar a rotina das equipes de Marketing e Comunicação principalmente como uma ferramenta de apoio. Porém, uma nova geração de aplicações, os chamados agentes de IA, assumem responsabilidades dentro dos processos, executam sequências de tarefas de forma autônoma e prometem mudanças na forma como campanhas, conteúdos e atendimentos são produzidos.
Segundo o diretor de Tecnologia do Brivia_Group, Jonathas Coelho, essa autonomia é justamente o que diferencia um agente de IA de ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Claude. Enquanto os assistentes dependem de comandos contínuos do usuário, os agentes recebem um objetivo, compreendem o contexto, organizam a execução das tarefas e retornam apenas quando precisam de alguma validação ou quando o trabalho está concluído.
“O agente trabalha por você. Você ensina ele, define limites e obrigações, e ele consegue, com autonomia, executar o trabalho”, esclarece. Por outro lado, os chatbots fazem apenas aquilo que são solicitados, no momento em que recebem o comando.
“Eles seguem uma linha de copilotagem ou de assistente. O agente não. Ele pode ter autonomia para executar atividades de ponta a ponta e decidir, inclusive, a partir do conhecimento que tem, se envolverá um humano ou não no trabalho executado”, acrescenta.
Uma equipe de agentes de IA
Porém, o maior potencial da IA agêntica surge quando múltiplos agentes especializados conseguem interagir entre si, dividindo automaticamente as demandas de acordo com a programação de cada um. A exemplo disto, Coelho descreve um cenário no qual um briefing de campanha é recebido por um agente orquestrador, responsável por identificar quais competências são necessárias para cumprir a tarefa.
A partir daí, agentes especializados assumem funções como redação, direção de arte, produção de e-mails, criação de peças para redes sociais e planejamento de mídia. “O agente pega a demanda, entende, faz uma ou outra pergunta só para ter clareza, e, autonomamente, demanda toda uma equipe de agentes que está abaixo dele. É como se você tivesse um gerente de campanha ou um profissional de atendimento”, explica.
Cada um realiza sua parte, devolve o resultado ao agente principal e este verifica se todas as entregas estão alinhadas ao briefing antes de apresentá-las ao profissional responsável. Além disso, o mesmo princípio pode ser aplicado à publicação dos materiais. Dependendo da configuração, os próprios agentes podem publicar conteúdos nos canais definidos, reduzindo ainda mais a necessidade de intervenção humana em atividades operacionais.
“Isso é autonomia, isso é a lógica agêntica. Agente sem autonomia, onde você tem que conversar com ele sobre o que precisa, senão ele não faz nada, não é um agente; é um ChatGPT”, resume.
E essas aplicações já não podem ser tratadas como casos isolados. Coelho observa um crescimento acelerado do uso da IA generativa — e, por consequência, dos agentes de IA — na Comunicação, especialmente em atividades ligadas à produção de conteúdo, onde texto, imagens e peças criativas podem ser desenvolvidos com muito mais velocidade. “Cada setor aplica a IA de uma maneira. As oportunidades são muitas e a IA generativa para produção de conteúdo é muito poderosa”, defende.
IA agêntica: da criação ao monitoramento
A autonomia dos agentes de IA também se estende ao acompanhamento das campanhas. Em vez de aguardar novas solicitações, agentes podem ser programados para monitorar indicadores periodicamente, acompanhar resultados, identificar tendências e entregar análises recorrentes às equipes.
O executivo reforça, ainda, que esses sistemas de IA agêntica evoluem conforme recebem feedback. A cada nova interação, eles refinam seus critérios de avaliação e aumentam a qualidade das próximas entregas, desde que sejam alimentados por uma base consistente de conhecimento.
Para ele, é justamente nesse ponto que reside um dos principais desafios da adoção dessa tecnologia. Antes de pensar em agentes de IA, as empresas precisam organizar seus próprios processos. “Iniciativas que não têm método, não têm boas práticas, um bom treinamento e uma boa documentação, ficam fragilizadas e geram frustração”, afirma.
Agentes de IA precisam do olhar humano
Além disso, Coelho defende uma adoção gradual, com experimentação contínua e validação humana antes de delegar atividades críticas aos agentes. “Os agentes não deixam de ser robôs. E eles falham bastante. Temos que estar acompanhando sempre, pois não é esse mar de rosas que muitos youtubers e influenciadores falam em seus perfis só para pegar seguidores”, argumenta.
É importante ter isso em mente, principalmente, quando se trata de comunicação de marca, para não correr o risco de fragilização do posicionamento, e de atendimento ao consumidor. Agentes conversacionais já conseguem resolver uma parcela significativa das solicitações, inclusive em canais como WhatsApp e ligações telefônicas com vozes sintéticas bastante naturais. Ainda assim, situações mais complexas exigem o encaminhamento para um profissional.
“Já vem vários agentes rodando com nível conversacional muito grande. Mas ainda é preciso ter o scaling para um humano. Embora eles tenham autonomia para resolução de muita coisa, ainda existem assuntos que só a conversa com a pessoa consegue resolver”, ressalta.
IA agêntica requer mais produtividade e novo posicionamento profissional
Para os próximos anos, o executivo acredita que a principal transformação não será simplesmente substituir tarefas, mas ampliar significativamente a capacidade de trabalho das equipes. Segundo ele, modelos atuais já conseguem executar em poucas horas atividades que antes exigiriam dezenas de pessoas, tendência que deve acelerar ainda mais com a evolução tecnológica e, futuramente, com o avanço da computação quântica.
“Quem era muito operacional vai ter que elevar um pouco o seu nível de entrega. Se o meu trabalho é só preencher planilha, ou algo que qualquer IA consegue fazer agora, eu vou ser o primeiro a ser substituído”, alerta.
Ou seja, à medida que agentes de IA passam a absorver atividades repetitivas e operacionais, cresce a necessidade de desenvolver competências mais analíticas, estratégicas e criativas. Mais do que substituir profissionais, a IA tende a redefinir o valor das funções dentro das equipes, elevando a importância da supervisão, do pensamento crítico e da capacidade de estruturar processos que orientem a atuação dos agentes.

Jonathas Coelho é diretor de Tecnologia do Grupo Brivia, com mais de 20 anos de experiência em Tecnologia da Informação. Graduado em Gestão de TI, com pós-graduação em Datacenter e especialização em Liderança Digital, atua na liderança de operações técnicas, arquitetura de soluções e desenvolvimento de produtos. Ao longo da carreira, participou de projetos com foco em infraestrutura, cloud computing, DevOps, inteligência artificial e automação de processos.
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