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DOOH amplia seu papel no mix de mídia ao conectar físico e digital

Com apoio de dados, geolocalização e automação, o Digital Out of Home passa a influenciar jornadas, contextos e decisões de consumo

Durante décadas, a mídia externa foi planejada a partir de uma pergunta simples: ‘Onde estão as pessoas?’ Agora, uma nova camada de inteligência está tornando essa resposta mais complexa e também mais valiosa. O avanço de dados de mobilidade, geolocalização, automação e inteligência artificial está transformando o Out of Home (OOH), ou Digital Out of Home (DOOH), de um meio baseado em pontos de exibição para uma plataforma orientada por contexto, comportamento e relevância.

Segundo Cássio Mensch, sócio e head de Marketing e Comunicação da Imobi, a principal mudança está na forma como o mercado entende a presença urbana. “Hoje, quando planejamos uma campanha, não olhamos mais apenas para ‘onde existe uma tela’ ou ‘qual avenida tem mais movimento’. Passamos a entender quem circula por determinada região, em quais horários, com qual intenção de consumo, em quais momentos da jornada e com que tipo de mensagem aquela audiência pode ser mais impactada”, relata.

Nesse cenário, os dados qualificam uma característica histórica do OOH: sua presença no cotidiano das cidades. Informações sobre deslocamentos, polos comerciais, sazonalidade, clima, eventos e hábitos de consumo permitem construir campanhas mais aderentes à realidade de cada região, enquanto a automação acelera ajustes e tomadas de decisão ao longo da execução.

“Na prática, isso faz o OOH deixar de ser comprado apenas como ‘espaço’ e passar a ser comprado como solução de presença, impacto e contexto. A mídia externa continua tendo escala e força urbana, mas agora com uma camada muito maior de inteligência”, resume.

DOOH conecta dados, automação e audiência

Para Mensch, a evolução tecnológica do setor de mídia Out of Home não pode ser atribuída a uma única inovação. Embora as telas digitais tenham representado um primeiro salto importante ao ampliar a flexibilidade criativa e operacional, o avanço mais relevante está na conexão entre diferentes tecnologias.

No ecossistema de mídia externa, convivem plataformas de gestão de campanhas, dados de audiência, sensores, compra programática, inteligência artificial e integrações em tempo real. O resultado é um ambiente em que planejamento, operação, mensuração e criação passam a trabalhar de forma mais integrada.

“O que transforma o OOH em um meio mais inteligente é a capacidade de conectar inventário, dados, criação, operação, mensuração e estratégia”, afirma. Por sua vez, a compra programática também contribui para aproximar o DOOH das dinâmicas já consolidadas no ambiente digital.

No entanto, segundo o executivo, isso acontece sem que a mídia externa perca sua principal característica: a presença física e visível no espaço urbano.

Mídia externa para além do awareness

Essa evolução tecnológica também altera a posição estratégica do DOOH dentro do mix de mídia. Tradicionalmente associado a alcance e construção de marca, o canal passa a desempenhar funções mais amplas ao incorporar dados e mecanismos avançados de mensuração.

De acordo com Mensch, as marcas continuam utilizando o meio para gerar lembrança e presença, mas agora conseguem conectar essas exposições a objetivos mais específicos. “Gerar tráfego, reforçar regiões estratégicas, acompanhar jornadas de compra, dialogar com campanhas digitais, ativar momentos de consumo e medir melhor os efeitos da exposição”, enumera.

Na visão do executivo, o DOOH funciona como uma ponte entre o ambiente físico e o digital. A combinação entre escala, credibilidade e inteligência de dados permite que o canal participe de diferentes etapas da jornada do consumidor, influenciando não apenas percepção de marca, mas também intenção, deslocamento e tomada de decisão.

DOOH: personalização sem perder a dimensão coletiva

A personalização em tempo real é outra das transformações que vêm ampliando as possibilidades da mídia externa. Mas, alerta Mensch, “precisa ser usada com inteligência e responsabilidade”.

Diferentemente do que ocorre em dispositivos individuais, o potencial do DOOH não está relacionado à personalização pessoa a pessoa. “A força está justamente no impacto coletivo, na mensagem pública e na presença compartilhada. Então a personalização precisa respeitar essa natureza”, acrescenta.

O executivo ressalta que uma campanha pode variar criativos conforme horário, clima, localização, condições de trânsito, proximidade de pontos de venda ou características específicas de uma região. “Uma marca pode falar de um jeito pela manhã e de outro no fim do dia”, sugere.

Ainda assim, para Mensch, a discussão central do DOOH não deveria girar em torno do limite tecnológico da personalização. O ponto mais importante é entender quais adaptações realmente melhoram a experiência das pessoas e os resultados das marcas.

Essa visão também ajuda a combater uma percepção ainda presente no mercado: a de que dados e automação reduziram o espaço para a criatividade. Na avaliação do executivo, ocorre justamente o contrário. “Quando bem usados, os dados não substituem a criatividade; eles dão mais precisão para que a criatividade aconteça no lugar certo, no momento certo e com mais relevância”, defende.

O futuro do OOH nas cidades conectadas

Outro equívoco recorrente, segundo Mensch, é achar que o OOH orientado por dados significa simplesmente “colocar mídia em uma tela digital”. “Não é isso. Uma tela digital, sozinha, não transforma uma campanha em inteligente. O que torna a campanha inteligente é a forma como ela é planejada, segmentada, operada, mensurada e conectada ao contexto urbano”, pontua.

De acordo com o executivo, existe a expectativa de que o DOOH se comporte exatamente como uma mídia digital de performance. Embora os avanços em mensuração sejam importantes, a mídia externa continua operando a partir de atributos próprios, como presença física, frequência, escala, lembrança e influência sobre comportamentos no mundo real.

“O desafio é o mercado entender que dados no OOH não servem apenas para justificar compra. Servem para melhorar estratégia, criatividade, operação e resultado”, afirma.

DOOH, mobilidade e a próxima geração da comunicação urbana

Essa compreensão tende a ganhar importância à medida que as cidades se tornam mais conectadas. Para o executivo, o próximo estágio de evolução do DOOH será atuar como uma camada inteligente da infraestrutura urbana, conectando marcas, serviços, mobilidade, eventos e informações em tempo real.

“Na Imobi, enxergamos o DOOH não apenas como um canal de mídia, mas como uma plataforma de presença para as marcas que transforma as cidades em espaços melhores para as pessoas”, ressalta.

A tendência inclui campanhas mais dinâmicas, integração crescente com dispositivos móveis, uso intensivo de dados de mobilidade e formatos mais imersivos. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico traz novas responsabilidades. Questões relacionadas à privacidade, sustentabilidade, qualidade da informação e impacto visual passam a ocupar papel central nas decisões do setor.

Nesse cenário, o futuro do DOOH não depende somente da expansão de telas, mas também da capacidade de gerar valor para o ambiente urbano. Quanto mais os dados aproximarem marcas, serviços e pessoas de forma contextual e relevante, maior será o potencial da mídia externa de se consolidar não apenas como um canal de comunicação, mas como parte da própria inteligência das cidades.


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