As metas e promessas, realizáveis ou não, para 2019

Por Márcia Martins

No final de semana passado, na mesa do almoço da praça de alimentação de um shopping qualquer, entre conversas banais com a minha filha antes de entrarmos na sessão de cinema, ela tascou-me a pergunta cruel. "E tu mãe, quais são as tuas metas para 2019"? Imediatamente, engasguei-me com a porção de macarrão que até então me fazia tão feliz e relutei. Sei lá, filha, respondi. Tenho aquelas metas comuns de todas viradas de ano: emagrecer, ganhar mais dinheiro (não sei como com a escassez de frees), fazer mais atividades físicas, melhorar a alimentação, cuidar mais do lado espiritual e/ou esotérico (mais a minha cara), sair mais com as amigas, não me irritar e/ou estressar tanto, viajar e ler.

Gabriela fez uma cara de espanto e rebateu: "Não pode ser assim mãe, senão não irá funcionar, tem que quantificar, ser mais específica, determinar". Talvez apostando (mil perdões pelo gerúndio) no vigor de seus 24 anos, ou ao lembrar que Gabriela é uma mulher que goza de muito sucesso e felicidade nas suas escolhas e inclusive nas suas incertezas, ou porque ela deve ter colhido alguma experiência em métodos e planejamentos já que se forma finalmente em Relações Públicas na Ufrgs em 9 de fevereiro, resolvi seguir o seu ensinamento/conselho/orientação. E inquieta, enfrenta um novo vestibular na Ufrgs, desta vez para Políticas Públicas (em 2018 ela passou, mas não podia matricular-se em dois cursos na federal).

Então, amigos e amigas que me acompanham porque gostam de me ler ou pelo simples medo de questionados não saberem o tema da coluna semanal (eu sou maligna), leitores e leitoras casuais que habitualmente abrem o portal Coletiva.net, mas nem sempre me prestigiam, e leitores e leitoras fiéis que não perdem um texto desta de jeito e maneira. Ainda que já seja a segunda semana deste novo ano que se iniciou, vou seguir os ditames da Gabriela e dar uma quantificada nas metas e promessas, realizáveis ou não, para 2019. Claro que farei o possível e, porque não dizer, o impossível para cumprir todas elas. Mas sintam-se à vontade, pelo menos os que convivem mais comigo, para me cobrar a execução delas no final do ano.

Sim, vou emagrecer mais em 2019. Desde 2015, experimento um processo lento de eliminação de quilos a mais adquiridos com o passar dos anos. Uns 20 já saíram deste corpo que não lhe pertenciam. Uns cinco teimosos voltaram. Pois agora a meta é mandar embora os cinco rebeldes e mais cinco, o que dá um total de 10 quilos em 12 meses, o que é viável. Basta cortar doces e porcarias fora de hora. Ganhar mais dinheiro. Mas quanto e como? Ai, Nosso Senhor do Bom Fim, ajudai-me. Prometo subir as escadas da Igreja das Dores de joelhos. E sim, se conseguir mais dinheiro, retomarei as aulas de Pilates. Melhor do que fazer Pilates com a professora Eti, só uma coisa que não irei revelar aqui, tomar água de coco muito gelada, comer pudim de leite condensado (e o regime?) e receber cafunés da filha.

Para eliminar os quilos a mais citados no parágrafo acima, necessariamente terei que mergulhar de cabeça numa alimentação mais saudável, num cardápio mais equilibrado, com mais frutas e sucos. Parece que tudo vai se alinhando como num ciclo, não é? Mas lá pelo meio do ano sempre alguma coisa degringola. Põe fé, Márcia. O sangue de Jesus tem poder, Deus é pai, não é padrasto, Oxalá me proteja e que os espíritos de luz me acompanhem. E assim, misturando deuses, anjos, crenças e dogmas, vou melhorar meu lado espiritual, quem sabe até me aprofundar mais em alguma destas seitas. Vai que! Ah, sim, amigas e amigos. Preparem-se. Vou lhe usar muiiiiiito em 2019. Vamos sair mais, trocar mais ideias, ir ao cinema, tomar café no shopping, interagir. Que a falta de tempo não seja a desculpa mais usada para justificar os desencontros.

Juro por tudo que é mais sagrado, pelos remédios de tarja preta que tomo diariamente, pelas velas que acendo, pelos incensos que queimo pelo apartamento, que tentarei, de todas as formas e receitas e mantras, não me irritar tanto e me estressar menos em 2019. Mas, olhem só: o ano mal começou e... o presidente Jair Bolsonaro (putz, agora vou ter que dizer o nome do homem) já fez tanta bobagem, seus ministros todo dia falam alguma m... e aqui no Rio Grande do Sul não coloco muita fé que, dificilmente, vou conseguir cumprir esta meta. Seguirei tentando. Sou persistente. Sou insistente. Não é tão fácil me vencer.

Quero viajar mais. Não só para Butiá na casa do meu irmão (ah, isto entra sim na conta das viagens, evidente). Para outros lugares. Dependo muito do item falado mais acima de ganhar mais dinheiro. Uma coisa interligada com a outra. Mas já tenho duas viagens programadas. Uma logo ali e bem pertinho, mas que une duas metas: viajar mais e sair "cazamigas". Iremos, em breve, num final de semana para o sítio de uma das Seconetes (as insuperáveis amigas da Secretaria de Comunicação do Governo Tarso Genro). E no início de fevereiro, vou passar uns dias em Porto Seguro com a minha irmã, presente de Natal que ganhei dela. Ler pelo menos um livro por mês. Até final de janeiro, dou conta do livro 'As três mortes de Che Guevara', do Flávio Tavares. E pelo menos mais uns 12 empilhados na estante da sala.

Sei lá. Mas entrei em 2019 com muitos planos. Estou cheia de boas intenções. Com metas bem definidas. Promessas anotadas na agenda. Bora lá realizá-las. Conselho de filha deve ter seu valor.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editoriais de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em antologias, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA). Tem o blogmarcinhaprodigio.blogspot.com. É mãe da Gabriela e avó dos caninos shih tzu Dalai, agora uma estrelinha, e do vira-lata Quincas Fernando.

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