É verdade esse 'bilete'

Por Grazi Araujo

Sempre que vou escrever minha coluna, tenho em mente fazer um link com algo voltado para a comunicação. A maioria delas planejo buscar algo que sirva de exemplo e referência, ou, então, relatar algo que me surpreendeu e por aí vai. O texto de hoje foge um pouco da discussão da profissão, mas vai falar sobre verdade, sobre fazer sua parte para construir um mundo melhor e não ficar tirando o corpo fora dos seus erros e assumir as responsabilidades.

Era um sábado de sol em Porto Alegre e decidi ir até o clube com meu pequeno. Pela fila no estacionamento, logo vi que a decisão era minha e da maioria dos associados. Optei por deixar o carro estacionado na rua para garantir mais horas de piscina e bronzeado, ciente de todos os perigos que corremos ao estacionar na beira da calçada.

Então, vem a minha surpresa: quando estava abrindo a porta para voltar para casa depois de um baita dia, tinha um bilhete com um recado: "Bati em seu espelho, telefone tal, assinado Alex". Na mesma hora olhei o retrovisor e não encontrei nada. Confesso que até desconfiei de alguma pegadinha. Olhei de novo e vi um pequeno descascado, que talvez eu notaria só na hora de vender o carro e ainda pensaria que teria sido uma barbeiragem minha. Fiquei mais surpresa ainda quando resolvi ligar para o tal número. O motorista que causou este pequeno dano disse fazer questão de pagar pelo conserto, que bastaria eu falar o valor e mandar meus dados bancários para transferência. Assim, na confiança da minha palavra. Coisa rara neste mundo tão maluco que estamos vivendo, vai dizer?

Toda essa historinha foi para compartilhar com vocês que sim, existe jeito de fazer uma cidade/estado/país/mundo melhor. Basta cada um fazer a sua parte, assumir as consequências de seus tropeços, sem ser omisso porque "ninguém viu". A atitude do Alex, que não tive ainda a oportunidade de conhecer pessoalmente, me fez refletir se eu teria a mesma atitude. Rendeu conversa entre amigos e muitos se questionaram também sobre o quê fariam. O bilhete de "culpa" foi mais um ensinamento de vida. Talvez compartilhando uma atitude tão simples - e, ao mesmo tempo, tão nobre - seja possível plantar uma sementinha sobre o quanto um exemplo pode fazer diferença. E você, assumiria a pequena batidinha no espelho de um desconhecido? Se ficou em dúvida, ainda há tempo de decidir pelo sim.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com.

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