Esperança, essa cadela

Por Fraga

Esperança é minha cumpanheirona. No trabaio ou no olho da rua, na saúde ou na zica, na miséria ou no melhorzim, essa cadela nunca sai do meu lado. Da padaria à farmácia, da lotérica à vendinha, em vez de me seguir, eu que sigo ela. Ela sabe pra onde o dia vai, de onde sopra o frio, se a sopa é pra que lado, sabe até de onde vêm os problema, se o céu vai manda disgraça. Essa cadela veve comigo há mais de 30 ano. Já dura mais que as mulé que tive. As pessoa acham que Esperança é bicho bão pra isquentá a gente. Também acho. Ela vê um miseráver e logo abana o rabo prele, catador ou bebum faiz agrado na cabeça dela. Esperança vai com quarquer um. A raça da Esperança? Sei lá. Essa vira-lata dizem que se vê no mundo intero. Esperança come de tudo, alimento mais ela que a minha barriga, que engole tudo também. Tudo que é meu é dela. Tudo que consegui veio dela. Agora mesmo perto da eleição, botei meu título de eleitor num saquinho prástico e prendi na coleira dela. Não tem lugar mais seguro. Se arguém inventá de se metê com meu título, a Esperança vai me avisá e damo um saipralá nele. Essa cadela pode me sarvá de munta coisa. Já mostrei santinho de candidato e ela fareja o sujeito. Só abana o rabo pra um que outro. Nem tem dúvida que vou percisá dela na cabine dos voto. Já me disseram que bicho não entra e eu já falei que não entro nas cabine sem a minha cadela. Ainda farta alguns dia pra nóis brasileiro escolhê o que é mió pro Brasil. Com certeza não gosto de marvadeza com gente nem com bicho. Roubalhera e bandidagem? Já chega disso. Até lá penso nos cachorro dos político. Entonces, no domingo, vô me animá nas urna. Esperança, essa cadela, sempre sabe o que esperá.

Autor
Fraga. Jornalista e humorista, editor de antologias e curador de exposições de humor. Colunista do jornal Extra Classe.

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