O design e as revistas

      Quando eu era guria, sem nenhuma gracinha complementar, eu odiava folhear revistas de moda, design de móveis e decoração. Tudo porque a minha realidade, …

img src="fotos/clo.jpg" align="right" border="1">      Quando eu era guria, sem nenhuma gracinha complementar, eu odiava folhear revistas de moda, design de móveis e decoração. Tudo porque a minha realidade, de classe média baixa, não me permitia deixar de morrer de inveja daquelas cenas esplêndidas, que eu, na verdade, amava. Aquele sentimento de pobreza e de carência era tão negativo que eu preferia passar longe das tais revistas. Até hoje, quando dou uma espiadela nessas publicações, me ocorre um pensamento igual ao daquele cara no comercial do Dia de São Nunca. Só que o meu santo não cai, de jeito nenhum.
      Essa relação de amor e ódio quase acabava comigo. Quanto mais evitava, lá estava eu, sofrendo, folheando as tais revistas. Olhando tudo rapidamente enquanto o tal sentimento depressivo não me fazia fechar as páginas e esquecer aquela maravilha.
      Hoje, se eu continuasse a ter a mesma sensação, já estaria internada, pois o bom design nos cerca, em tudo. Eu diria que até nos persegue: os criativos estão arrasando em anúncios, cinema, shoppings, supermercados. Em ambientação, decoração e serviços. Fala-se até em design de planejamento. Na imprensa, é um assunto abordado cada vez com maior freqüência. Ainda bem. E isso não acontece apenas pelo interesse do leitor, principalmente se ele se parece comigo, mas porque o design foi conquistando o seu espaço. O talento não pode ser contido.
      E eu, que evitava cobiçar o bem feito, mas que sempre tive uma queda vertiginosa pelo belo e criativo, este fim de semana procurei sem sucesso a revista Interni, italiana sobre móveis e objetos que traz na capa o sofá Boa, dos brasileiros Humberto e Fernando Campana. Esta dica, li no Estadão e na IstoÉ. Repito aqui porque é prá lá de boa. É o design brasileiro que continua a fazer falta na minha casa. Claro, cada exemplar do móvel custa uma pequena fortuna. Por isso que, por um lado, admiro e, por outro, invejo. Porque não é para o meu bico. Só para mostrar o quanto eu desejaria essa obra na minha sala, publico aqui a capa da Interni, nessa humilde cloluna. Bom proveito.
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