Porque nos sentimos enganando os outros

Por Cris De Luca

Na última semana, participei de um fim de tarde de muito calor em Portinho, com mulheres em roda e vinho branco gelado na taça. Em pauta, a síndrome, ou melhor, o fenômeno social (como aprendi naquele dia), da impostora. Um encontro organizado com todo carinho pelas meninas do Ladies, Wine & Design de Porto Alegre (@lwd.poa no IG). Fiquei sabendo sobre o LWD numa conversa sobre vinhos (acho que eu falava do TCC) com uma amiga, em um curso em São Paulo, lá na Mutato. Coincidência ou não, o assunto deste encontro seria algo que vem martelando nos últimos meses por aqui: a sensação de inadequação e de não se sentir apta a assumir determinadas posições no mercado de trabalho. E, como o universo sempre conspira a favor, fui sorteada para participar desta edição.

Um dos pontos que conversamos foi sobre como a gente pode identificar que estamos entrando nessa vibe (bad) de nos sentirmos impostoras, enganando todo mundo? Entre as características que podemos observar (lembrando que nada substitui a terapia) estão: não reconhecer nossas conquistas (achamos que foi sorte, que foi porque tal coisa foi facilitada e afins), falar muito sobre nossos resultados para atestar o nosso valor, alto nível de comparação e sensação de inferioridade, focar sempre no que falta (achar que sempre tem que estudar mais, saber mais sobre todos os assuntos e por aí vai), não construir relacionamentos fortes e bajular as pessoas com medo que "descubram" que não somos boas o suficiente e precisar excessivamente de controle. Quem aí se identifica com dois ou mais desses pontos citados?

Num papo guiado por Gabi Guerra (@gabiguerra) e Dulce Ribeiro (@dulceribeiro_oficial), foi importante compartilhar meu momento e enxergar que não sou a única a me sentir assim. O grupo era formado por meninas de 20 a 50 anos, em sua maioria designers e arquitetas. Foi essencial descobrir que não é culpa minha, que existe todo um ecossistema criado culturalmente que leva a gente a se sentir assim. Lembrando que a "síndrome" não afeta apenas mulheres, mas na sociedade em que vivemos, somos as principais atingidas por este fenômeno. Então é necessário fortalecer aqui dentro para poder meter o pé da porta para fora. E para isso só muito autoconhecimento acompanhado de meditação (exercitar a pausa, respirar sempre é necessário), apreciação (estar presente em cada atividade do dia, evitar as distrações), falar sobre o assunto (não é para chorar as pitangas, mas falar sobre o que fez e tem de bom) e agradecer (acordar a vontade). Quem vamos começar a exercitar isso já?

Se você também se sente assim ou ainda não entende bem o que está se passando na sua cabeça, procure conversar com alguém ou alguéns sobre isso. Esse foi um momento em que me senti acolhida, foi uma troca linda, como se tivesse recebida um abraço coletivo. E que, neste momento, era mais do que necessário.

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações-públicas. Possui experiência em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Apaixonada por Marketing de Influência, também integra a diretoria da ABRP RS/SC e é professora visitante na Unisinos e no Senac RS.

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