Qual a sua posição sobre a legalização do porte de arma?

Por Elis Radmann

A retrospectiva de 2018 nos traz a segurança pública como o grande tema de debate e de preocupação da sociedade brasileira.

Seguidamente, o telejornal mostra cenas de assassinatos, desde a abordagem da vítima até o desfecho fatal. E, infelizmente, há casos em que a vítima era alguém que conhecíamos. Ataques a bancos alteraram a rotina de cidades pequenas, potencializando o preconceito com qualquer grupo de forasteiros. Nas redes sociais, temos o relato frequente de amigos e familiares que são vítimas de roubos e furtos, em especial, envolvendo carros e aparelhos de celular. A ampliação dos casos de violência, retratados em detalhes pela mídia, amplia a sensação de insegurança da população. 

Este cenário motivou o debate sobre a legalização do porte de arma durante o processo eleitoral de 2018.  E o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião questionou os gaúchos sobre a frase que representaria melhor a sua posição: 

- Possuir uma arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender = 46,9% 

- A posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida das outras pessoas = 47,7% 

- Não sabe avaliar, nunca pensou no assunto = 5,3% 

A análise por mesorregião do IBGE indica que, quanto mais próximo da capital, menor o grau de concordância com a legalização do porte de arma e, quanto mais distante da capital e próximo às fronteiras, maior a concordância com a legalização do porte de arma. 

Verifica-se que a divisão dos gaúchos sobre o tema ocorre em todas as faixas etárias e há uma inclinação mais negativa entre as famílias com renda entre um a dois salários-mínimos nacionais, sendo 44,5% favoráveis e 50,3% contrários. 

Quem defende a legalização do porte de arma utiliza o argumento da insegurança pública, relata a sensação de impotência em relação possível invasão a sua residência. Este raciocínio está associado ao direito de defesa da vida e do patrimônio. 

Na maioria dos relatos, há a leitura de que o criminoso está armado e esta realidade favorece uma situação desleal e injusta. Muitos entrevistados têm a consciência de que é necessário conhecimento e habilidades para lidar com uma arma e que a mesma traz riscos à sociedade. Em muitos casos, quem defende a legalização do porte de arma já foi ou conviveu com alguma vítima de violência. 

Os que se manifestaram de forma contrária a legalização do armamento afirmam que a reação a assaltos pode aumentar o risco de um desfecho fatal para a vítima, tendo em vista que muitos criminosos não têm nada a perder e nenhum tipo de consideração pela pessoa humana. 

Também há relatos de que quanto maior o número de armas em residências, maior a chance de um acidente doméstico, principalmente, com crianças. Além disso, também há os que argumentam que as armas podem ser roubadas e ampliar o número de armamentos dos criminosos. 

Os que possuem experiência no assunto justificam que a sensação de insegurança não é suprimida com o porte de arma, tendo em vista que o receio pode ampliar a ansiedade e levar o indivíduo a desejar armas mais e mais letais. 

Enquanto os gaúchos se dividem sobre o tema, os brasileiros se mostram mais contrários. Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha indicou que 55% dos brasileiros afirmam que "a posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas".

O tema é polêmico e será debatido no Congresso Nacional em 2019 e você, já tem posição sobre esse tema?

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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