Um ano novinho em folha

Por Cris De Luca

Depois de um final de ano tenso e intenso, nada como ter pela frente um ano novinho em folha pela frente, não é mesmo? E quando o que vem pela frente é uma folha em branco? Acho que fazia mais de 15 anos que isso não acontecia comigo. Olhar para a vida e poder organizar tempo, projetos e o dia a dia sem ter um zilhão de atividades. Pareceu-me um pouco desesperador no começo, mas, depois de 10 dias de "férias", mudei a minha perspectiva: 2019 será um ano de novidades e de muito aprendizado, inclusive de aprender a não fazer nada e não me culpar por isso.

Mesmo na época de colégio, eu sempre tinha atividades o tempo todo. Tinha a escola e também tinha dança, catequese, aula de inglês, algum esporte (natação, tênis, handebol e afins). No último ano do colégio, tinha aula de manhã e alguns dias à noite, ainda trabalhava no Yázigi durante a tarde para terminar o curso de inglês no primeiro semestre e, na outra metade do ano, fazia cursinho. Entrei na faculdade, o curso era integral e no tempo que tinha entre uma aula e outra, tinha bolsa de trabalho. Depois, só continuou no mesmo ritmo. Na verdade, ficou ainda mais intenso.

Parar para olhar 2019, não ter aula e nem horário de trabalho para cumprir, chegou a me dar um vazio. E também me fez pensar em muita coisa. Até mesmo no jeito que eu faço minhas escolhas profissionais. Sempre fui do tipo de achar que eu não podia perder nenhuma oportunidade, que tinha que aprender sobre tudo, que não podia ficar atrás de nada, que eu tinha que dar um jeito, afinal o tal do cavalo encilhado pode não passar de novo. E fui abraçando projetos e ideias dos outros e deixando as minhas coisas de lado. Ou, na maioria das vezes, nem pensando o que eu queria tirar daquela experiência na qual eu estava entrando. E, quem me conhece sabe, não consigo ser superficial quando faço algo, eu entro de cabeça, visto a camisa, e quando eu não consigo fazer da maneira que eu acho o ideal, me culpo muito por não entregar o melhor.

Nos últimos dias de 2018 e nessa primeira meia semana do novo ano, pensei muito sobre isso. Se, principalmente, eu queria continuar nesse ritmo ou buscando algo que eu não sabia o que era. Fiquei uma semana sem ligar o computador (apesar de estar com o celular na mão), a internet falha lá em Santa Catarina ajudou a ficar menos online (por incrível que pareça) e retomei algumas ferramentas de autoconhecimento que tinha deixado para trás. E isso fez uma baita diferença em como estou voltando a Porto Alegre.

Este será um ano para me dedicar às minhas ideias e aos meus projetos. Vou deixar de fazer parte do projeto de outras pessoas, de marcas, de empresas, de governos? Claro que não! Toda conversa e todo convite será muito bem-vindo, mas agora eles terão que fazer ainda mais sentido pra mim e fazer diferença no que eu quero deixar para os outros. Porque no fim, para mim, é isso que importa. Às vezes, é fácil a gente esquecer que existe toda uma comunidade ao nosso redor e que, pode até não parecer, mas tudo que a gente faz interfere nas outras vidas. E isso está me fazendo repensar um monte de coisa: desde posts em redes sociais, consumo, livros que eu quero ler, tom dos releases que eu vou produzir, influenciadores que serão selecionados para fazer alguma ação e até mesmo meu tempo livre. Sim, é necessário ter um tempo de ócio, de brindar o que se tem e o que não se tem, de, simplesmente, celebrar a vida, sem se sentir obrigado a isso ou culpado por fazer isso. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma. E pretendo cuidar muito bem desse trio este ano. Quem vem comigo?

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações-públicas. Possui experiência em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Apaixonada por Marketing de Influência, também integra a diretoria da ABRP RS/SC e é professora visitante na Unisinos e no Senac RS.

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