Um segundo turno inédito no RS

Por Elis Radmann

Desde a instituição do segundo turno, as eleições gaúchas foram polarizadas entre o PT e um partido de centro-direita. Contrariando a tendência, o PT ficou de fora do segundo turno e dois partidos que eram aliados disputam o segundo turno neste ano. Esse fenômeno já havia ocorrido nas eleições municipais de Porto Alegre, em 2016.

E como podemos entender esse fenômeno?

Em primeiro lugar, porque houve a diminuição do voto ideológico, que mantinha preferência pelo PT. O indicador do Estado que era de 30%, reduziu para 10%. Essa mudança comportamental exige que o PT tenha candidatos com uma reputação pessoal maior do que a sigla do partido.

Em segundo lugar, porque há uma tendência de ampliação dos eleitores esperançosos, que entraram na eleição com o propósito de depositar sua esperança na pessoa de um candidato. Eleitores que desejam mudança, que defendem a moralidade e que estão inclinados a apostar no novo. Estes eleitores desejam um governador com coragem, atitude e que represente a nova política (não faça conchavos e cumpra o que promete). São estes eleitores que deram o primeiro lugar para Eduardo Leite (PSDB) com a crença de que o jovem ex-prefeito de Pelotas está próximo deste perfil.

As intenções de voto de Eduardo Leite se destacaram entre todos os tipos de eleitores, mas, preferencialmente, entre a população de menor renda e entre as mulheres (que se mostram mais esperançosas). Durante todo o processo eleitoral, Leite se manteve com uma média de 60% dos votos da Região Sul e, conforme sua campanha crescia, ampliava a sua inserção nas demais regiões do Estado.

Em terceiro lugar, os eleitores que defendem a tendência de continuidade garantiram o segundo lugar para o atual governador, José Ivo Sartori (MDB). São eleitores que avaliam que Sartori fez uma boa administração ou fez o que podia tendo em vista a situação financeira do Estado, e destacam que o candidato é sinônimo de honestidade e seriedade.

Neste grupo pró-situação, também há eleitores que acreditam que o novo para o Rio Grande do Sul seria manter o atual governador, tendo em vista que o Estado nunca reelegeu um governador. O voto de Sartori se destacou entre os homens e, em especial, entre os eleitores com maior faixa etária.

Durante o embate de primeiro turno os eleitores avaliaram mais as características pessoais dos candidatos do que suas proposições. Como o segundo turno é uma nova eleição, o eleitor vai querer saber o que será feito e de onde virá o recurso.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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