Definitivamente, agora é regra. Todo governo que assume no Rio Grande do Sul descobre a mesma coisa: o estado está falido, não tem capacidade de investimento e o desafio que se apresenta, sistematicamente, a cada governante é o de honrar uma folha de pagamento em crescimento contínuo.
Além disso, identifica uma eloqüente injustiça. O ônus dos eventuais atrasos e perdas incide sobre os funcionários do Executivo, em particular, os servidores da segurança pública e educação. Os outros poderes, chova ou faça sol, recebem seu quinhão integral.
Um pessimista diria que caminhamos para o caos, que não há mais solução e que nosso destino como sociedade está traçado.
Um otimista, por sua vez, aposta na capacidade de recuperação do povo gaúcho, que nossa economia crescerá de forma surpreendente, que a arrecadação será incrementada e sairemos do buraco.
Estudos econômico-financeiros, entretanto, sinalizam uma terceira alternativa. A perspectiva de resolver a crise pelo crescimento é ingênua; as taxas necessárias são absolutamente inatingíveis.
O caos, no entanto, pode não vir a ser o nosso amanhã, embora haja quem acredite que já o atingimos.
Estamos diante de uma situação, por mais paradoxal que pareça, alvissareira: nunca antes houve no Estado, ao mesmo tempo, uma opinião pública tão consciente da gravidade da situação – há um clima de opinião favorável – e um governo tão disposto a enfrentá-la. Pode dar certo.
Para isto, será necessário que o governo estadual compre as brigas certas, evite desgastes políticos desnecessários, mas endureça o jogo nos aspectos estratégicos do processo.
Além disso, dentro desta conscientização, é imperativo que haja uma melhor distribuição dos sacrifícios. Que se consiga persuadir certas corporações que ceder agora evitará um mal maior no futuro, tarefa esta tão difícil quanto a de convencer o peru do sentido espiritual do Natal.
Será uma batalha pela opinião pública.

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