
Um dos talentos mais perturbadores do Padre Brown, o personagem de Gilbert Keith Chesterton, era apresentar paradoxos em forma de perguntas:
” – Onde esconder uma folha?”
Resposta: ” – Na floresta”.
ou
” – Onde esconder um seixo?”
Resposta: ” – Na praia”.
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O padre detetive entrou à sua maneira na galeria dos grandes da literatura policial – ao lado de Jules Maigret, Hercule Poirot e Philip Marlowe.
Sua mais notável qualidade é a de não ser notável, como os heróis tradicionais. Mas aqui se esconde a perspicácia de irlandês e uma refinada ironia. Em seus contos e novelas, o Padre Brown lida com crimes e mistérios que desafiam suas habilidades investigativas. Mas, diferentemente dos detetives famosos criados por Agatha Christie ou Georges Simenon, que buscam identificar, prender e punir o criminoso, ele se preocupa mais em entender qual a motivação do suspeito para cometer o crime, para então obter confissão e arrependimento.
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Na coletânea “O Segredo do Padre Brown”, talvez a mais profunda e inquietante da série, o leitor acompanha o desajeitado sacerdote do interior da Inglaterra que enxerga o mundo com um olhar poético e místico. Mas que se revela um incansável investigador empenhado em reconhecer e enfrentar o Mal. Aqui se repete a tese tipicamente chesterniana – os mistérios que desafiam o Padre Brown não são os que se ocultam nas sombras, mas aqueles que se abrigam no coração humano. E os delitos mais perigosos são eatamente os que se escondem na nossa consciênia. O que GKC queria nos dizer é que o importante não é a busca do culpado, mas a descoberta da motivação e das culpas profundas, para abrir o caminho para a redenção.
Quando o Padre Brown afirma que para isso ele precisa estar no lugar do assassino para compreender seus crimes, GKC cria outro de seus paradoxos:
” (…) Procuro ficar dentro dele, ler pensamentos, entender as paixões, me adaptar à sua maneira de ser, olhando o mundo com olhos congestionados pelo ódio (…) encontrar o caminho para um mar de sangue, até me tornar realmente um assassino (…)”.
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