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A história do release no Brasil

Empresários na escada do avião junto com a família e a informação que se tratava de uma “viagem de negócios”, ou textos que enalteciam …

Empresários na escada do avião junto com a família e a informação que se tratava de uma “viagem de negócios”, ou textos que enalteciam a qualidade de produtos, eram comuns, se não a regra, dos chamados releases e publicados como matéria editorial. No final dos anos 50 não existiam as assessorias especializadas e, nas agências de propaganda, os releases eram redigidos por mal-humorados redatores, irritados com este tipo de trabalho. Dali seguiam para o departamento de mídia, que se encarregava da sua colocação nos veículos. Os jornalistas se vingavam colocando uma tarja preta.

Entre os grandes jornais, somente o “Estadão” se recusava a seguir as injunções do departamento comercial. Mas ainda hoje encontramos veículos que a ele se submetem, e mesmo em Porto Alegre temos claros exemplos disto quando, logo após a publicação de um release como matéria editorial, seguem anúncios na mesma edição ou são programados para o futuro.

Foi a Standard Propaganda, em São Paulo, a pioneira na implantação de departamento de relações públicas (que até então também não existiam), e um dos seus diretores, jornalista, que começou um trabalho de convencimento de que “viagem de empresário” e outras informações assemelhadas não eram notícia, e sim matéria paga. “Qual a razão de tanto interesse na publicação de releases como matéria editorial?”, perguntava este diretor, Evaldo Simas Pereira. “Porque ela tem muito mais credibilidade”, argumentava. Dir-se-ia que é enganar o leitor.

Mas um belo dia uma revolução aconteceu. Tratou-se do quinto aniversário da Refinaria União, em Capuava, quando seria inaugurado mais um forno por um ministro de JK. A secretária de Simas Pereira colocou, por sua conta, um memo onde dizia que não se deveria convidar o “Estadão”. Compareceu toda a imprensa, menos o não-convidado.

Simas, irado, mandou imediatamente um subordinado falar com o secretário de Redação do “Estadão”, o severo Cláudio Abramo, para que oferecesse a notícia e as fotos. Elas foram entregues no horário marcado mas, no dia seguinte, para quem olhava o jornal, nada. Ela foi encontrada em oito colunas na última página, onde sempre se colocavam os destaques nacionais (até 64 o “Estadão” sempre reservou a primeira página para o noticiário internacional).

Moral obtida com a lição de Cláudio Abramo: os assessores de imprensa que tiverem uma boa e honesta notícia não somente serão recompensados com sua veiculação como também pela elevação de seu conceito profissional. (Com  informações obtidas junto a Juvenal Azevedo/[email protected])

Autor

Iara rech

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