É possível educar sem atitude?
Um pai que quer evitar que seus filhos bebam pode tomar um porre a cada final de semana? Um professor que cobra pontualidade de seus alunos pode chegar atrasado? Um diretor de uma empresa pode exigir que seus funcionários tratem bem seus clientes se ele vive destratando-os?
Educar implica exemplo. A atitude de quem quer melhorar o comportamento de alguém é muito mais importante que suas palavras. O líder pode esperar que suas ações sejam replicadas e imitadas. Não há outra saída.
O maior grupo de comunicação do Rio Grande do Sul, já há algum tempo desencadeou uma campanha objetivando a direção responsável. Tal qual uma Grande Irmã, através de anúncios de gosto duvidoso – na falta de uma idéia mais criativa, uma boa dose de sexo, por favor! -, das opiniões de seus comunicadores, da distribuição de folders e adesivos preconiza a direção responsável sob todos os aspectos. Uma cruzada “anti-etílica” está no cardápio, naturalmente.
Tudo repleto de mérito. Não há dúvida que se os motoristas acelerassem menos, não bebessem antes de dirigir, fizessem a manutenção de seus carros; e se os órgãos públicos fizessem a sua parte, assegurando vias mais seguras, retirassem os veículos sem condições para trafegar e estivessem menos voltados para a fúria arrecadadora de multas e mais para um controle mais sério do trânsito, haveria muito menos mortes nas ruas e estradas.
Mas voltemos ao exemplo da empresa líder. Tem sentido fazer uma campanha deste porte, fantasiar seus comunicadores com camisetas com slogans e, ao mesmo tempo, realizar esta invasão bárbara que atende pela alcunha de Planeta Atlântida?
Estando na praia no final de semana acabei sendo mais uma vítima da selvageria protagonizada por importante parte do público que freqüenta o local. Patrocinado, entre outros, por uma fábrica de cerveja, a simples observação do acesso ao local já é um espetáculo lamentável. O acesso é uma grande disputa entre varejistas informais: a concorrência pelo porre mais barato. Capetas, duas cervejas por 3 reais, caipirinha em garrafa pet, são algumas das ofertas que são feitas para jovens de todas as idades. Vai para o Guiness? Epa! Guiness também é cerveja.
Como quem assiste a um desfile de carnaval, brigadianos acompanham carros com pessoas penduradas nas janelas, motoristas bebendo cerveja ao volante e interrupções do tráfego. Tudo em nome da “alegria”.
Certamente, alguém poderá dizer que os fatos que relato ocorreram fora do evento, e, portanto, que quem o promove nada tem a ver com isto. Ledo, e Ivo, engano.
No mundo civilizado, é comum a realização de shows musicais ocorrerem sem a venda de bebidas alcoólicas e vetando o ingresso de pessoas embriagadas. Alguns destes espetáculos são patrocinados por empresas que vendem bebidas. É uma questão de segurança!
Haveria ainda o tal argumento das liberdades individuais, que são os mesmos invocados para Você ter que comer em um restaurante levando baforadas de um mal-educado qualquer ou do som da festa do seu vizinho ficar a mil até as cinco da manhã. Uma sociedade onde pode tudo.
Finalmente, cabe sim a uma empresa que detém concessões públicas na área da comunicação influenciar comportamentos. Desde, no entanto, que respeite a inteligência das pessoas.
Hipocrisia: isto tem que acabar!

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