Quem chega aos 60 e é de esquerda tem problema.
(Lula, solenidade
Estava alinhavando idéias para escrever uma crônica sobre a lei de talião quando fui atropelado por Sua Excelência, o presidente da República, o Lula.
Já escrevi e repito que desde a morte de Tancredo Neves desinteressei-me da nossa política partidária, que considero distante da política de idéias, mais próxima das transações de varejo.
Também por uma questão de nível – e por higiene mental – há muito excluí Sua Excelência dos meus pensamentos, escritos e referências.
Não vou afirmar que Sua Excelência é um imbecil, seria leviandade. Afirmo que não conheço, em nenhum lugar do mundo, um chefe de Estado que haja acumulado um repertório tão grande de imbecilidades.
Um falastrão tão caudaloso como Sua Excelência – um despudorado camelô de si mesmo – pode até, na autopromoção e no autodesvanecimento, num surto de megalomania, abusar do seu estilo: “Nunca houve, nesses mais de 500 anos de Brasil, um chefe de Estado que dissesse tantas imbecilidades como eu.”
Tivesse ele o talento de um Piolim, Arrelia, Carequinha ou de outros palhaços que alegraram multidões, bastaria uma simples transferência de categoria profissional para resolver o problema.
Esgota-se, porém, o riso – e o silêncio – quando o descaramento assume uma declaração pública – estou só escrevendo pública por não ter acesso à privada – e Sua Excelência elogia o senador Renan Calheiros, acusado por dezenas de atos ilícitos, e ainda diz que o ex-senador Severino Cavalcanti, culpado confesso por receber propina como presidente do Senado, foi traído por parlamentares paulistas.
Esse auto-alinhamento de Sua Excelência ao lado de posturas levianas e criminosas, só justificável quando no exercício da advocacia, inaugurou semana passada, no Recife, a era da Indecência descarada, logo depois reafirmada nas Alagoas.
Colocando-se ao lado de Severino, essa proclamação da indecência invade a área do crime, na qual alguns postulados são rígidos e irreversíveis.
Traição e delação não conhecem perdão, traidores e delatores são condenados à morte e rigorosamente punidos. Sou paulista, mas não parlamentar e nem traidor, objeto da acusação de Sua Excelência. Se o fosse, não dormiria tranqüilo, pois dos criminosos, quanto mais se espera, mais vem mesmo.
Lembrei-me que até hoje não se sabe quem foram os responsáveis pelos assassinatos do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, em 2001, e de São Bernardo do Campo, Celso Daniel, em 2002, ambos do PT.
Concluindo: os velhos de esquerda, como este escriba, por postura política, foram diagnosticados por Sua Excelência como portadores de problemas.
Se correto o diagnóstico, resta a convicção que nesses problemas, no meu caso, indecência não tem vez.
Inté.

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