No EntreLinhas, jornal do CRP-07 (Conselho Regional de Psicologia –7a Região), li um texto sobre violência, tema da última edição (N. 20). Dentre outras coisas, dizia uma mais ou menos assim: o excesso de oferta em nossa sociedade pode ser um motivo para a violência. Repito a parte exata: “Se abrirmos um jornal, compramos três celulares, dois carros e um apartamento na segunda-feira pela manhã”. Segundo José Vicente Tavares dos Santos, coordenador do grupo de estudos da UFRGS, Violência e Cidadania, na excelente entrevista do EntreLinhas, os meios legítimos que a sociedade oferece são limitados em relação às ofertas. Ao mesmo tempo em que a sociedade propõe grades, propõe o consumo como valor universal. Essa tensão, que ele chama de Contradição Constitutiva, gera a frustração, a concorrência, logo, a disputa e a violência. Não dá para discordar. Como prega o Budismo: a vida sem desejos é muito mais saudável, pacífica e barata. “Abaixo a sociedade de consumo!”, disseram uns, quebrando tudo.
Um passarinho me contou que nos espaços originados pelo Multipalco (ampliação do Theatro São Pedro) poderá haver um espaço denominado “Eva Sopher”. Apoiado, é claro. Porém, de viva voz, ouvi da própria homenageada, tristonha ao refletir sobre o assunto, aparente receio de que a moção possa ser rejeitada. Perguntei: Dona Eva, a senhora acredita na vilania das pessoas, sabendo sobre seu trabalho junto à comunidade? “Conheço, e por isso temo”. Nada como a voz da experiência.

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