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A lua de Porto Alegre

Juro por tudo que é mais sagrado neste mundinho de Deus pai todo poderoso. Juro de pés juntos, pelo sangue de Jesus, pela felicidade …

Juro por tudo que é mais sagrado neste mundinho de Deus pai todo poderoso. Juro de pés juntos, pelo sangue de Jesus, pela felicidade de minha filha amada Gabriela, pela saúde dos sobrinhos e afilhados Rafael, Camila e Lucas (coisa mais amada da dinda). Não estou louca, não tenho três carros e nem posso voar. Mas sou sim Alain Delon e Napoleão Bonaparte. E penso que Deus sou eu e já encontrei a paz. Não permanente, mas em diversos momentos da minha vida. Por conta destas minhas esquisitices e maluquices, na noite desta última terça-feira, não acreditei, no primeiro momento, no que vi ao retornar para a casa depois do trabalho.

Devia ser uma miragem. Efeito de algum remédio mais forte que tomei e não me caiu muito bem. Um sono que me acometeu no caminho dentro da lotação e me tirou do juízo normal. Sei lá. Talvez excesso de cansaço em função de uma mudança mais radical no meu horário de trabalho. E não foi por um curto período de tempo que sugerisse uma alucinação. Aquele cenário durou exatamente 15 minutos da minha viagem. Em todos os segundos da minha volta do trabalho para casa, a tal paisagem estranha estava ali.

Olhei para os lados. Disfarcei. Fechei os olhos. Rezei para que aquilo sumisse e que nunca mais aparecesse. Só em sonho. Se bem que os meus sonhos não andam assim tão férteis. Mas enfim.

Estava lá. Não era loucura minha. No céu de Porto Alegre. Às 18h50. Uma lua cheia que se antecipou ao calendário oficial (pelo que busquei no Tio Google, a tal lua espaçosa deveria ocupar o céu só no dia 27). Uma lua totalmente branca e perfeitamente instalada no céu da capital. Mas era uma lua diferente de todas que já vi até então. A lua tinha um rosto impecavelmente desenhado. Visível. Com dois olhos, nariz e boca. E dos seus lábios pálidos saía um largo sorriso. De satisfação. De felicidade. De tranqüilidade. Uma lua saudando os 241 anos de Porto Alegre, comemorados naquele dia.

Conclui e repasso para os meus leitores a minha teoria de que Porto Alegre não é só a cidade com o pôr-do sol mais lindo que existe nesta terra. A lua de Porto Alegre também é algo indescritível. E sorri!.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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