Quem agenda quem? A mídia agenda o público ou o público agenda a mídia?
Perguntas deste tipo foram indutoras dos estudos realizados por Maxwell McCombs e Donald Shaw nas cidades norte-americanas de Chapell Hill e Charlotteville, nas eleições presidenciais de 1968 e 1972, respectivamente.
Através de pesquisas realizadas por telefone, no período pré-eleitoral, foram entrevistados eleitores sem voto cristalizado, visando a comparar os temas tratados pela mídia local e nacional e as reais preocupações do cidadão.
O estudo levou os pesquisadores a formular a hipótese comunicacional da agenda-setting. Segundo essa hipótese, há bidirecionalidade nas influências entre o público e a mídia.
Por se tratar de uma hipótese, cabem especulações e experimentações, diferentemente das teorias, que têm caráter hermético.
Outros estudos a respeito da comunicação são mais incisivos acerca do poder da mídia sobre o público. Na espiral do silêncio, de Elizabeth Noelle-Neumann, há uma convicção maior acerca do poder da mídia. A partir da constituição de certo clima de opinião, até o medo do isolamento induz posicionamentos pessoais.
Ora, se a mídia tem o poder de influenciar opiniões, nada mais natural que se cerceie sua atuação, impedindo, até mesmo, que programas humorísticos façam esquetes que envolvam políticos, pois poderiam ridicularizá-los. Não é mesmo?
Claro que não!
Para combater a liberdade de imprensa, só há um caminho: ampliá-la. Permitir que todas as opiniões sejam difundidas e que, através da lei, os excessos sejam revisados e, eventualmente, punidos.
O mercado é o grande regulador. Ao público, cabe o julgamento.
Dos veículos, se a isenção é uma quimera, que se cobre a transparência.
Não seria melhor se cada órgão de imprensa informasse que partidos, candidatos e coligações apoiam?

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