“Deus inventou os parisienses para que os estrangeiros
não entendam como os franceses são na realidade.”
(Alexandre Dumas Filho)
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Nossos amigos mal largaram as malas e ligaram para agradecer as dicas sobre os bistrots de Paris, mas, logo a seguir, despejaram queixas sobre garçons mal-educados e ‘la merde de chien’ nas calçadas de St.Germain-de Prés. Esta fama do mau humor dos parisienses não começou ontem. O escritor Alexandre Dumas Filho já reclamava que os parisienses por vezes lhe lembravam as gárgulas de Notre Dame.
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As gárgulas são ornamentos da arquitetura medieval, destinados a desaguar as águas das chuvas. Quase sempre reproduzindo uma figura monstruosa, as gargouilles foram colocadas nas catedrais para lembrar aos fiéis que, até mesmo nos locais sagrados, o demônio nunca dorme e está sempre vigiando os pecadores lá do alto. Uma antiga lenda de Paris (La Veille Dame é generosa em lendas) nos conta do enfrentamento de Saint Romain, bispo de Rouen, contra La Gargouille, um terrível dragão que vivia nos pântanos da margem esquerda do Rio Sena e que afundava os barcos e devorava pessoas e animais da região.
Um dia, o bispo atraiu La Gargouille para fora do Sena com um crucifixo e levou o monstro a cabresto até uma praça, onde os aldeões o queimaram em uma grande fogueira. Verdadeira ou não, a lenda inspirou os arquitetos de Notre Dame e da Sainte-Chapelle, que ornaram estas magníficas construções com dezenas de aguadouros de pedras, representando grifos, dragões e monstros da mitologia medieval.
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Em 2010, uma pesquisa de opinião promovida por uma revista de grande circulação, mostrou que os parisienses eram percebidos como “arrogantes, esnobes e centrados em si mesmos”. Uma definição não muito distante daquilo que escreveu Alexandre Dumas em 1850. Mas como seria possível visitar Paris e degustar seus encantos e charmes sem se aborrecer com o mau humor dos parisienses?
A editora de turismo Condé Nast Traveler diz que sim, sugerindo que o viajante desenhe seu roteiro na cidade, fugindo da alta estação e das grandes obviedades. Para o viajante criativo, há “o outro lado da moeda” em Paris – centenas de alternativas de compras, museus, parques, monumentos, sem falar em belas experiências gastronômicas. Em uma cidade histórica, com raízes multiculturais e multirraciais profundas, pode-se experimentar sabores de todo o planeta.
Em lugar do óbvio Mac Donalds’, que tal delicados folhados turcos ou arenques escandinavos? Na Rive Gauche existem restaurantes para todos os gostos, com sabores gregos, vietnamitas, coreanos, marroquinos… E mais adiante, no Marais, contemplamos uma antiga sinagoga, ao lado de um templo ortodoxo, depois podemos garimpar livros antigos em um pequena livraria de esquina.
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• Não perca o dia na Tour Eiffel.
Em 2011, 8 milhões de pessoas fizeram fila sob os arcos da Tour Eiffel para, depois de algumas horas de espera, subirem ao topo da grande torre. Uma fila para comprar o ticket, outra para os elevadores e, finalmente, filas para voltar à terra firme.
Amigos residentes na cidade dizem que o mesmo panorama que se avista do alto da torre pode ser apreciado dos terraços de Tour Montparnasse – e com filas bem menores.
Outra opção é o restaurante Les Ombres, instalado no terraço do Musée du Quai Branly. Raros turistas o conhecem e a vista da Tour Eiffel está entre as melhores opções do “outro lado” de Paris. Um jantar para dois começa em uns 80 euros – e a vista da torre iluminada está incluida no preço.
• Cuidado com hoteis com preços promocionais.
Encontrar um bom hotel em Paris por um valor razoável é uma tarefa desafiadora para o mais experiente viajante – e mesmo para um dedicado agente de viagens. Os hotéis de cadeias internacionais são caros ou estão longe do centro histórico e cultural. Os viajantes frequentes aconselham dois caminhos:
1) Um dos novos hoteis-boutiques, instalados em antigos casarões dos dois lados do Sena. A maioria passou por total remodelação interna e foi reequipada com modernidades: elevadores, banheiros com ducha, TV de plasma, WiFi, ar-condicionado, etc.
2) Alugar um loft mobiliado, por uma fração do valor de um hotel 3 estrelas, é boa opção para períodos superiores a 10 ou 15 dias. Alguns ficam em ruas particulares ou em pequenas praças, têm 2 ou 3 quartos, mas a escolha deve ser precedida de muita pesquisa na Internet – onde não faltam informações: mapa, fotos, descrições e custos por dia, semana ou por mês.
• Não almoce croissants e macaroons.
Dourados e fresquíssimos, os croissants são uma tentação difícil de resistir, mas apenas turistas pressurosos os comem em quantidade. Guarde o apetite para a melhor gastronomia do planeta. Outra tentação são os coloridos macaroons. Os dois biscoitos unidos por chocolate e crème enfeitam as vitrinas de centenas de patisseries da cidade, como a Ladurée, que os fabrica há gerações, em sabores de tontear um turista faminto – chocolate belga, cereja silvestre, amaretto, limão siciliano, trufas brancas, maçã com canela…
Mas, se quiser acompanhar os parisienses na disputa para eleger o melhor macaroon da cidade, vá adiante e prove o com sabor de rosas no Pierre Hermé, o de laranja amarga no Gérard Mulot ou o de caramelo salpicado de fleur du salt no Ladurée.
Depois disso, o viajante pode vangloriar-se de conhecer l’autre côté de Paris.


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