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A pequena Área

Ali, a grama não cresce! Um filósofo do futebol, um dia, referiu-se a ela desta maneira. É nela que atua a mais solitária atividade …

Ali, a grama não cresce!

Um filósofo do futebol, um dia, referiu-se a ela desta maneira. É nela que atua a mais solitária atividade deste esporte: a de goleiro; com seus erros e acertos, determina conseqüências inapeláveis ao jogo. É dentro dela, também, que atacantes perdem os mais imperdíveis gols para desespero de suas torcidas. A pequena área é uma região de sofrimento e dor. Um aeroporto brasileiro para os praticantes de futebol.

Em uma era na qual, através da FIFA, o futebol atingiu o patamar de negócio global, as pequenas áreas carecas passaram a estar menos presentes nos campos de jogo, se considerarmos os estádios de primeira linha espalhados pelo mundo. É possível, entretanto, encontrá-las nos campos de várzea e nos gramados da segunda divisão.

A foto-montagem publicada na revista Veja desta semana, fazendo alusão ao futebol, fez-me pensar, novamente, na tal pequena área e no descaso com a qual ela tem sido tratada pelos nossos governantes. No texto da foto, ficamos sabendo que Lula II terá, com cargos em nível de ministério e que, portanto, respondem diretamente ao presidente, 37 pessoas.

Impossível administrar, o que, para o governo, não faz a menor diferença. O que importa é acomodar o maior número de partidos e empregar a companheirada.

Além disso, a criatividade do presidente não tem limite: fechou o ministério da Pesca, mas criou o dos Portos. Pura acomodação!

Tem um grupo de ministérios que são absolutamente sobrepostos, tais como o da Integração e o do Desenvolvimento. Neste caso, certamente haverá um burocrata que justificará a estrutura.

Finalmente, há aqueles ministérios “coisas do Brasil” como das Cidades, da Igualdade Racial e das Mulheres. Temas que, se em si, merecem a atenção do governo, só justificam-se como ministérios para acomodar interesses políticos.

Daí a idéia da Pequena Área…

Se o grande objetivo do governo é garantir maioria para proteger-se de Cpis e empregar companheiros, por que não criar o ministério das Pequenas Áreas? Considere a importância que o futebol tem na vida do brasileiro, a relevância dos fatos que ocorrem nas pequenas áreas do Brasil e Você perceberá que pode “dar jogo”.

Além disso, admitamos que depois de quatro anos nada melhore acerca do tema: os locais permaneçam sem grama, os goleiros contiuem falhando e os atacantes pernas-de-pau perdendo gols dentro delas; ou seja, que o novo ministério seja um total fracasso. Nenhum problema, basta o presidente adotar a postura que tem em relação a casos semelhantes, como, por exemplo, o ministro da Defesa: não precisa fazer nada de prático, apenas convocar uma reunião.

Finalmente, é bom mencionar, o futebol é uma fonte inesgotável de soluções. Se, por acaso, este negócio de investigar a corrupção apertar ou se precisar empregar mais companheiros sem qualificação, que se crie o ministério das Marcas do Pênalti.

Simples…

Autor

André Arnt

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