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A poesia tem pressa

      Fui atropelada por um poeta. Em tempos como o nosso, com disputas importantíssimas para as nossas vidas e convicções, as flores nas calçadas, os …

      Fui atropelada por um poeta. Em tempos como o nosso, com disputas importantíssimas para as nossas vidas e convicções, as flores nas calçadas, os ventos corajosos e ameaçadores surgem em nossas vidas como meros acasos. Acasos mais do que anunciados, pois fazem parte do cotidiano desde que o mundo tem primaveras.

      A poesia de Eduardo Guimaraens, que se instalou em minha vida com usucapião vencido, traz esses meros acasos. Para um homem culto como ele, os acasos são mais sofisticados. E sofisticadas ou difíceis ainda são as coisas simples.

      As flores nas calçadas independem das eleições, e, além da prerrogativa da existência, a poesia ainda canta e encanta.

      Psiu: um político disse para o adversário: sua campanha canta e encanta. Complemento: assim dançará ao chegar o verão.

      Com vocês, o livro Dispersos de Eduardo Guimaraens. Falsa modéstia: é de nossa editora.

([email protected])

Autor

Clo Barcellos

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