Nesta quarta-feira, 5 de novembro, caminharei, pela primeira vez nesta edição, pelas barracas da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, espremidas e disputando espaços nos cantos e encantos da Praça da Alfândega, no centro da capital do Estado. Aproveitarei o final de tarde, saindo do trabalho (aquele período de 15 dias de retiro compulsório de férias ao qual me referi na coluna da semana passada foi repensado por diversas razões), para perambular e passear. Vou olhar os títulos dos livros expostos nos estandes das editoras e livrarias, talvez fazer algum abuso gastronômico e rever umas amigas de outras redações, assessorias e repartições.
Como o ano de 2015 se desenha no cenário desta que vos escreve como um período de aperto financeiro (não está fácil arrumar emprego, poxa!), deixarei em casa os inimigos mortais do consumo: meus cartões de crédito. Todos. Os que permitem pular fora do limite que já é elástico, os que nos enganam com o pagamento rotativo (que atende também pelo nome de inviável) e aquelas folhas soltas de talão de cheques que podem ser datadas de meses e meses adiante (sim, isto ainda existe). Portanto, amigas que desfilaram comigo na Praça da Alfândega, me afastem das tentações.
O abuso gastronômico também estará limitado não somente para não exagerar nos gastos. Mas porque não adianta nadinha levantar as pernas o mais alto possível nos equipamentos, abusar de exercícios abdominais e mostrar-se toda empenhada no Pilates, e enfiar, literalmente (compreenderam?) o pé na jaca em um único evento. Logo, ficarei restrita aos pequenos prazeres da comida e da comida. No máximo um petisco e um chope geladinho.
Mas o melhor da feira, na minha mais simplória opinião são as relíquias que se encontram nos sebos. Títulos perdidos e esmagados naquelas caixas de madeira de um verde quase desbotado. Em anos anteriores, era perfeitamente possível encher uma sacola com uns cinco ou seis exemplares de boas leituras e não gastar mais do que R$ 40,00 nestes sebos. Limitada aos gastos que não se encaixam nas minhas despesas mensais, deverei fitar os sebos de relance. Quase com olhar de desprezo. E não parar nesta máquina de sugar meu dinheiro (#prontofalei).
Apesar do convite quase irresistível dos livros que se abrem e se oferecem despudorados, se perfumam com o cheiro das paineiras, ipês e jacarandás, em plena floração nesta época, e da tentação dos sebos, ouso dizer que uma das melhores coisas da feira da Praça da Alfândega, é o encontro com os amigos. Como é bom rever os rostos mais enrugados, mas sempre com um generoso sorriso, dos amigos e amigas que as rotinas atuais de trabalho, nos impedem de encontrar diariamente. Como é confortante ver todos com saúde, embora alguns – em função de acumular entas nas idades – já carreguem caixas de remédios nas bolsas.
Em novembro do ano passado, nada me fez mais feliz do que encontrar o Ed, a Lili e a Fê Pereira e trocar carinhos e afetos com eles. A vida é infinitamente melhor quando temos amigos.

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