Em uma noite de sábado neste último dezembro, os teatros de West End, em Londres, abriram suas cortinas para um registro histórico – naquela noite, a peça ” The Mousetrap”, de Agatha Christie completava a marca de 25 mil apresentações, ou seja, 62 anos nos palcos – a mais longa carreira teatral de um drama de mistério.
Quando “The Mousetrap” (ou “A Ratoeira”) estreou, o primeiro-ministro inglês se chamava Winston Churchill, Joseph Stalin era o supremo ditador de todas as Rússias e um general chamado Dwight Eisenhower acabava de ser eleito presidente dos Estados Unidos.
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Naquela noite de 1952, o público que lotava o Ambassadors Theatre aplaudiu de pé quando Agatha Christie subiu ao palco para dedicar “The Mousetrap” à Rainha Mary, esposa do falecido George V. Ao final, ouviu-se uma nova ovação que, desde então, foi repetida por mais de 10 milhões de espectadores. O programa da peça tinha uma inovação – um resumo do drama, escrito pela autora, para instigar a curiosidade das platéias:
“Um grupo de pessoas está reunido em uma casa de campo, isolada pela neve. Elas descobrem, horrorizadas, que existe um assassino entre eles. Quem seria?
Um a um, os personagens suspeitos revelam seu passado sórdido. Então, na última cena, entre momentos de suspense e tensão, a identidade do misterioso personagem e o motivo do crime são finalmente revelados”.
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Inicialmente, “A Ratoeira” foi escrita para o rádio, com o título “Tres ratos cegos”. Agatha Christie reescreveu o texto, mudando o título, que faz uma referência a uma famosa cena de Hamlet. Os intérpretes da cena original foram Richard Attenborough e sua esposa, Sheila Sim, seguidos por mais de 300 atores e atrizes que atuaram como os oito personagens da peça. O recorde pertence a David Raven, o Major Metcalf, que atuou mais de 4.500 vezes no mesmo papel. Embora um sucesso no teatro, “A Ratoeira” não é considerada a melhor novela da autora. Ela mesmo admitia que não era o drama que provocava mais calafrios. E revelava:
“O segredo de uma boa trama policial é simplesmente fazer
o herói guardar a identidade do assassino
no mais íntimo de seu coração”.
Devia acreditar mesmo neste mantra, pois repetiu várias vezes as cenas de suspense de “The Mousetrap”, fazendo o protagonista reunir os suspeitos antes de revelar o nome do assassino misterioso. Mais do que isto, as novelas de Agatha Christie colocaram na galeria de detetives da literatura policial, duas figuras definitivas: a divertida Miss Marple e o pitoresco detetive belga Hercule Poirot.
Ela escreveria 66 novelas e 14 contos, com mais de 2 bilhões de exemplares em 103 idiomas. O que a coloca no terceiro lugar entre os maiores best-sellers, depois da Bíblia e da obra de Shakespeare. Dame Agatha Christie continuou escrevendo até sua morte, em 1976. Sempre ignorando os insistentes pedidos para escrever uma sequência de “A Ratoeira”.
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