Felipe Calderón foi indicado ontem como presidente do México pelo Supremo Tribunal Eleitoral. A tarefa coube ao Supremo devido às acusações de fraude do opositor de Calderón, López Obrador, que provocou intenso movimento de massas nas ruas. A decisão trará pouca alteração nas relações com seu poderoso vizinho, os Estados Unidos, e o restante da América Latina. Mas pode acentuar as divergências no México entre direita e esquerda. Vicente Fox, presidente do país e dirigente do Partido de Ação Nacional (PAN), apoiador do candidato Felipe Calderón, foi impedido de ler sua Carta à Nação, na última sexta-feira, pelos integrantes do Partido da Revolução Democrática (PRI).Calderón ganhou pela escassa margem de 0.58%, correspondendo a 243 mil mil votos num total de 41 milhões.Por isto a decisão foi deixada ao Tribunal.
A oposição, liderada por López Obrador, afirmou que as eleições foram fraudadas e recorreu a um uma nova contagem de votos., que foi concedida em 9% das urnas, nas quais foram acatadas suas alegações. Derrotado ontem na decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, promete um comício monstro para o dia 16 de setembro (já realizou concentrações), data nacional mexicana. Obrador não reconheceu a vitória de Calderón e pretende instalar um governo paralelo, que não se sabe o que será.
A MÍDIA
A cobertura foi oportuna para a importância do evento, e chegou a receber 45 linhas no Financial Times, ilustrada com uma propaganda de López Obrador, o candidato de esquerda. O Mexico e o Mexico Economico não tomaram partido ostensivo. Il México defendeu Obrador. The NYT News Service dedicou meia página, o que é compreensível devido a ser um país de fronteira. Financial Times limitou-se a falar de Obrador, sua campanha populista, o pedido de recontagem de votos e a desconfiança no judiciário. “Então o que significará para os EUA e suas relações com o México?”, pergunta-se The NYT News Service. “Provavelmente quase nada”, diz o cientista político John Baileuy, que leciona na Universidade de Geogetown e no Foreign Service Insttute de Washington D.C. “Não é hora de virar o barco”.
DINHEIRO AMERICANO
Analisa NYT News Service que confrontos de política e barulhentos.de imigração e combate às drogas e outras questões são certos como no passado. Parte dos analistas concorda com a agenda bilateral – definida por uma fronteira de 3 mil km, economias cada vez mais ligadas e uma população compartilhada em expansão, vai aguardar quem venceu a presidência hoje .Outros discordam, dizendo que os caminhos já estão traçados.
“Não haverá grande mudança no relacionamento. A principal diferença será de tom”, diz Pamela Starr, especialista mexicana da Eurásia Group, consultoria cujos clientes incluem corporações de Wall Street .Como há dependência do México em relação aos EUA e ao dinheiro que enviam para casa milhões de mexicanos que trabalham nos EUA, nenhum político de nenhuma vertente do país poderá dar-se ao luxo de falar abertamente contra os americanos, dizem os analistas políticos. A estabilidade e a prosperidade de seu vizinho do Sul é prioridade para o empresariado americano. Ele têm pouco interesse em quem subir na cadeira presidencial, desde que não interfira danosamente em seus negócios.
Diante deste quadro o novo presidente do México terá, como sempre, que movimentar-se em linhas sinuosas onde coincidam seus interesses com os dos americanos.

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