Já escrevi algumas vezes aqui neste espaço que sou contra toda e qualquer tipo de vaia. Considero o ato de vaiar extremamente deselegante, deseducado, descortês, inconveniente, estúpido e típico de quem não tem muito argumentos e perdeu a noção de civilidade. Sempre pensei assim. A posição não é de hoje. Mesmo quando ia torcer pelo Grêmio ainda no amado Olímpico Monumental, onde normalmente se deixa todo resquício de educação em casa, jamais entoei uma vaia contra adversário. Até admito que xingava os artilheiros do time opositor, berrava palavras não muito meigas para o treinador do Grêmio e confesso que nem sempre fui cordial com a mãe do juiz, mas vaiar nunca. Penso que aprendi desde muito pequenina com a minha mãe que vaiar era um atitude de muito desrespeito e cresci com esta teoria.
Quando a presidenta Dilma Rousseff foi, em mais de um compromisso de sua agenda pública, vaiada e até mesmo chamada de nomes desagradáveis, manifestei-me nas minhas redes sociais, principalmente no Facebook, totalmente contra estas atitudes nada civilizatórias. E isso não tinha nenhuma relação com a minha total simpatia e convergência de ideias com a presidenta do Brasil. No caso de Dilma, fiz, ainda, duras críticas ao machismo que impera no País porque em muitas situações, o desrespeito ocorreu pela total falta de consideração com o desempenho de uma mulher no poder.
Fiz as considerações acima para demonstrar que o meu pavor às vaias independe de ideologias políticas, esportivas ou culturais. Por isso, fiquei triste com as vaias que o governador José Ivo Sartori recebeu ao discursar na cerimônia de inauguração da 38ª Expointer, em Esteio. Mesmo que os manifestantes na Expointer, representando cinco sindicatos e a Fundação Zoobotânica, que vaiaram por longos minutos o Chefe do Executivo, estivessem descontentes e protestassem contra o parcelamento de salários, continuo a classificar a atitude de deselegante, rude e indelicada. E ao ler o comentário de Sartori sobre as manifestações, fiquei sabendo que temos uma coisa em comum. “Sou uma pessoa que nunca vaiou ninguém nem em campo de futebol”, disse o governador. Exatamente como eu.
Nada que justifique as vaias, mas vamos combinar não é governador que algumas atitudes suas parecem estimular o ato de apupar. Porque se apresentam como atos de extrema falta de respeito e consideração com os servidores e, especialmente, com toda a sociedade gaúcha. Precisava José dançar com a Primeira-Dama, uma semana antes, na mesma Expointer, com o pretexto de acompanhar o governador de São Paulo e sua esposa, Geraldo e Lu Alckmin? Precisava dançar para os gaúchos dois dias antes de confirmar que o salário do funcionalismo seria pago em parcelas e que a primeira delas seria de R$ 600, o que em muitos casos, não paga nem o aluguel de um JK?
Explica José se precisava mesmo afirmar reiteradas vezes que desconhecia a real situação financeira do Rio Grande do Sul, para justificar, entre outras coisas, o atraso de salários, se os dados econômicos do Estado foram repassados com transparência no período de transição, antes do atual governador ser empossado? Será que era necessário afirmar, durante a campanha, que só aumentaria impostos se a sociedade pedisse, e oito meses depois de empossado, mandar para a Assembleia Legislativa, um projeto que propõe reajustes nas alíquotas do ICMS? Alguém ouviu a sociedade pedir para o governador José Ivo Sartori, legitimamente eleito pela maioria gaúcha, uma elevação nos tributos?
Abaixo todo tipo de vaia, mas que está complicado este desgoverno ninguém pode negar. São oito meses de pouca ação e muita reclamação, de pouca obra e muita falta de recurso para setores essenciais, como saúde, educação e segurança. São oito meses em que a população teme andar nas ruas a qualquer hora do dia ou da noite, porque a insegurança é o reflexo da ausência de investimento no setor. São oito meses de frases feitas de um governador e muito ou nada ainda foi feito pelo Rio Grande do Sul. E agora José?

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial