Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É quem vai ganhar..
Chiquinha Gonzaga – 1899.
Abram alas que o povo quer passar.
A primeira vez que saí de São Paulo e vim morar no Rio, no Carnaval de 1955, a cidade cantava “Recordar é viver”, de Aldacir Louro, Aloísio Marins e Macedo, hoje um clássico de nossa música popular.
Naquela época o povo brincava na rua, com muitos “blocos de sujos”, e o Cordão do Bola Preta, fundado em 1918 – hoje Patrimônio Cultural do Povo do Rio de Janeiro –, punha uma multidão na rua.
O Chave de Ouro, folclórico cordão dos bairros Méier e Engenho de Dentro, na quarta-feira de cinzas, “fechava” o Carnaval de rua e era dissolvido, no cassetete, pela polícia. Quando acabaram com o cassetete, acabaram com o bloco.
Não sei todos os motivos – creio que os grandiosos desfiles das escolas de samba foram um deles –, mas a verdade é que o Carnaval de rua do Rio foi se esvaziando e o evento mais significativo passou a ser mesmo os desfiles e as disputas das grandes escolas. Pouco depois, já quase um carioca, eu era Mengo e Mangueira.
A “retomada” das ruas começou em 1964, de forma tímida, pela Banda de Ipanema, daquele bairro da Zona Sul, a partir da iniciativa do agitador cultural Albino Pinheiro, do designer Ferdy Carneiro e dos chargistas Jaguar e Ziraldo.
O bar Jangadeiros, na Praça General Osório, foi o ponto aglutinador da banda, onde parte dos seus frequentadores se conhecia e se “passava o chapéu” para pagar a bandinha que puxava as músicas a serem cantadas.
Na saída da banda naquela praça, em 1970, eu desde há muito enturmado com a patota do Jangadeiros, a gente recebeu das mãos de Paulinho da Viola um papel impresso com a letra de “Foi um rio que passou na minha vida”. Naquele ano, a banda já não era aquela coisa tão “provinciana” de suas primeiras saídas e já rumava para a categoria de “tradicional”.
Semana retrasada, em sua primeira saída em 2012, a Banda de Ipanema arrastava uma multidão de 40 mil foliões. Cresceu, né!? Acredito que Albino Pinheiro e Ferdy Carneiro, que há algum tempo foram desfilar em outras galáxias, não acreditariam que uma simples brincadeira juntaria uma multidão e criaria a obrigação de todos os encargos que isso significa.
A brincadeira deixou de ser brincadeira para a Prefeitura da cidade, que calcula que 800 mil foliões vão desfilar este ano nos 476 grupos que se inscreveram junto a ela. Só na operação “faça xixi, mas não na rua”, mais de 15 mil banheiros químicos estão sendo instalados pelos percursos já conhecidos. Só no último fim de semana, 111 blocos desfilaram em todas as zonas da cidade.
Enfim, o carioca decidiu por sua participação efetiva na folia e quem quer brincar, brinca. Os jornalistas, por exemplo, têm o bloco “Imprensa que eu gamo”.
Abram alas que o povo vai passar.
Alegria, alegria, afinal o povo só quer rosetar.
Inté.
Coletiva (comentários sobre a coluna anterior – “Controle-se”)
Formidável, Mário. De forma elegante e clara você convida o espectador – que não está nem aí para qualificação de audiência e GRP – a fazer o que ele acha melhor. A TV aberta, cada vez mais, mostra o que o povão quer ver. Ponto. Alguns programas da Pay TV podem ser a alternativa para fugir desse lixão. Ou ainda um bom livro, por que não? Abraço do fã incondicional, Carlos Eduardo (Cunha), professor de Comunicação, Florianópolis
Maryo, tujúr Mário, o de sempre. Meu controle remoto do televisor está, sempre, com a pilha descarregada. Tenho de apertá-lo duas ou três vezes, com força (força de um abraço forte) para que funcione. Má qualidade dos chineses, que hoje fabricam tudo o que usamos??? Não. Não e não. Ocorre que, diante da maravilhosa programação de idiotices de nossa TV (que agora chega à TV por assinatura e a invade também), mudo tanto de canal que o pobre controle remoto gasta, gasta, gasta e desgasta a pilha em pouco tempo. A solução não é usar o controle remoto. A solução é melhorar o nível da TV. O que achas? Um abraço, o abraço de sempre, Flávio (Tavares) escritor e jornalista, Búzios, RJ
Grato, Mario.
Você tem toda razão e vale também para cronistas, articulistas, toda casta de istas e pseudo formadores de opinião. Então, estamos combinados: de hoje em diante, quando não gostar de seu escrito, ignorá-lo-ei. Vai ficar sem o meu “GRATO, MARIO”. Abraços. José Carlos Pellegrino, engenheiro perito, São Paulo
Mário, você brilhante, como sempre!!! Acabo de ler a Coluna de hoje. Tudo o que penso é exatamente o que você disse. E rebato quando me peitam com esse tipo de afirmação a respeito de programas da Globo. Só que eu faço mais violentamente. E às vezes fico encabulada comigo.. Mando logo A P A G A R a TV. E PRONTO!!! Não gostei da matéria do Verissimo. Ele tem muita coisa interessante a falar do que os “BBB” da vida. E ele não entende nada a respeito do esquema. Mais uma vez assino “em abaixo” ou “abaixo” da sua escrita.??? Beijos na tropa. Eu (Lia Moreira), publicitária, Teresópolis, RJ
Lia querida, você foi uma das milhares de pessoas empulhadas pelos safados na Internet que não se pejam em falsificar a autoria de textos. No caso do Verissimo, quando você ler alguma coisa dele – pela Internet – encaminhe para mim que digo se vero ou não vero. No caso citado por você, “não vero”, e a coluna que eu citei foi publicada em O Globo de 2 de fevereiro. Curiosidade: no ano Brasil-França, divulgaram lá uma crônica escolhida como sendo dele, mas não era. Como o texto era muito bom, ele foi à caça e descobriu a autora, uma moça de Santa Catarina. O Arnaldo Jabor é outra vítima frequente de anônimos, mas filhos da puta. Beijos. Mario

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