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Acalanto do bem

Acordo, abro o jornal e começam os pesadelos. Quarta-feira, 5 de março, a coluna de Elio Gaspari, em O Globo, foi uma gentileza  que …

Acordo, abro o jornal e começam os pesadelos.

Quarta-feira, 5 de março, a coluna de Elio Gaspari, em O Globo, foi uma gentileza  que contradisse o paradoxo.

Os motivos, muitos, começaram pela afirmação de que “a candidatura de Fernando Gabeira à  prefeitura do Rio de Janeiro será um sopro de inteligência na campanha eleitoral de uma cidade que parece entregue a um condomínio de caciques, comendadores e poderosos chefões”.

Gaspari lembra que antes do “mensalão” Gabeira já fugira do PT, lembra que Lula e Zé Dirceu simbolicamente arrasaram e salgaram o Rio, com a invenção política do casal Garotinho, acólitos e assemelhados.

Outro trecho: “Aos 67 anos, o deputado do PV entra em mais uma briga, carregando nas costas a mochila da decência. Há candidatos em quem se vota para ganhar e há aqueles com quem se vai na certeza da derrota. (…) Gabeira parece ter essa qualidade. É melhor perder com ele do que ganhar com alguns de seus concorrentes””.

Nas últimas eleições presidenciais coube a mim, Mario, a alegria de perder com Cristovam Buarque, alegria por haver, ainda, candidatos decentes.

Gaspari lembrou também que o economista Eugênio Gudin, quando contrário à fusão dos estados do Rio e da Guanabara, referindo-se à cidade do Rio, escreveu um artigo intitulado “A Guanabara não é um burgo podre”. Gaspari acrescentou:

“O carioca não vive numa cidade qualquer. Quando ele vem pela Avenida Rio Branco, passa pelo monumento a Floriano Peixoto, dobra e cruza com Deodoro da Fonseca e Getúlio Vargas. Quando chega à Siqueira Campos, vê o bronze (horrendo) dos 18 do Forte. Foi na sua cidade que aconteceram as coisas que fizeram a história daquelas pessoas. Era numa esquina de Ipanema que Tom Jobim e Vinicius de Moraes viam o mundo inteiro se encher de graça”.

As lembranças daquele jornalista se incorporaram a milhares de outras minhas que não têm nada a ver com Pão de Açúcar, Cristo do Corcovado e Praia de Copacabana.

O prédio do antigo Ministério da Educação, ato inaugural da moderna arquitetura brasileira, com esculturas do paulista Bruno Giorgi e azulejos do conterrâneo Portinari, é lembrança que se mistura com a Confeitaria Colombo e seus freqüentadores famosos, intelectuais e artistas vindos de todo o Brasil.

Naqueles tempos, o Rio, tambor de inteligência, atraía sempre mais inteligência, e seus ecos chegavam às nossas províncias. Era um Rio de corpo e alma.

Em 1966, o pernambucano Manuel Bandeira, há muito no Rio, antes de ir embora para Pasárgada, comemorou 80 anos de vida. Na ocasião, numa das entrevistas, indagado sobre suas carências, o poeta confessou que se ressentia da falta de um local para estacionar seu carro.

Dias depois, ao passar pela frente do edifício do poeta, na Avenida Beira-Mar, fiquei alumbrado com a visão de uma placa de trânsito: “Reservado para o poeta Manuel Bandeira”.

Num único gesto, o mineiro Francisco Negrão de Lima agradeceu ao Rio o fato de tê-lo eleito governador da Guanabara. 

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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