Não me considero melhor que ninguém. E nem pior. Mas não sou igual.
Percebi, há tempos, que, em muitos casos, sou diferente.
Essa diferença é igual àquele sinal da matemática que exprime, apenas, que um número difere de outro.
Exemplo: quando uma pessoa não me trata como eu gostaria, radicalizo:
– Favor não falar mais comigo. E continuo a viver no meu círculo de cordialidade.
Detesto fofoca, sou chegado aos fatos. Já espantei muita gente que chega e diz:
– Vou contar uma coisa para você, mas não conte para ninguém.
– E você não conte para mim.
Acho que devo ser considerado, por muita gente, um chato. Pelo menos me considero um chato diferente.
Meu grande amigo que se foi, João Carlos Magaldi, cunhou-me como um “fanático da objetividade”.
Nunca desprezei esse juízo, pois se o fato me rouba um pouco do sal da terra, evita que eu elucubre sobre hipóteses.
Desde que me prometi, por uma questão de nível, não escrever mais sobre a nossa política, tento, apenas, e sempre, ser apenas um cronista.
Como não tenho obrigação de me envolver com crimes, roubos, acidentes, tragédias que preenchem o noticiário dos jornais e telejornais, tento extrair de um ramo de árvore que sobrevive, como que enxertado no seu tronco, uma lição de vida. Tento achar num jardim bem cuidado uma flor mais cativante.
O assunto não importa e quanto mais distante estiver do noticiário, melhor.
Há dias que um jornal vem impregnado com as opiniões mais diversas sobre a mesma notícia, ou seja, a redundância fica inevitável, ou seja, há uma mistura de editorialista, repórter, crítico e colunista tratando da mesma coisa. Acho chato.
Quando uma crônica faz do banal uma notícia, o gênero crônica se engrandece.
Acabo de me lembrar de um jornalista de turfe que, no golpe de 1964, fugiu para o exterior pelo simples fato de trabalhar num jornal de esquerda. Essa fuga foi a única vez, como profissional, que ele teve oportunidade de manifestar sua ideologia.
Inté.
Vitrine (Comentário sobre a coluna anterior)
28.06.2011, Grato, Mario.
Boas Festas Juninas para você que se encerram amanhã com São Pedro (não o tal que fugiu com a noiva).
Abraços. Eng. José Carlos Pellegrino, São Paulo.
Obrigado, Pellê.
Em homenagem aos que não tiveram infância (na mesma época que nós), vai aí um brinde.
Pedro, Antonio e João
Osvaldo Penteado e Benedito Lacerda –1940
Com a filha de João
Antônio ia se casar
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar
A fogueira está queimando
E um balão está subindo
Antônio estava chorando
E Pedro estava fugindo
E no fim dessa história
Ao apagar-se a fogueira
João consolava Antônio
Que caiu na bebedeira.

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