Em praticamente todos os lugares que visitei no mundo, sempre busquei alguma conquista no conhecimento histórico ou cultural, mesmo quando eram locais quase que exclusivamente turísticos.
Acho que apenas uma vez assumi aquele papel que achamos ridículo nos outros, o do turista que compra um pacote e vai fazer tudo que está no programa, mesmo assumindo um papel ridículo que você não faria em casa. Meu exemplo de turista ridículo, cumpri em Cancun, no México, em 1998. Não que a cidade não tenha me oferecido também atrativos interessantes, como a visita às ruínas dos antigos povos maias e até mesmo suas belezas naturais que misturam o mar azul do Caribe com áreas de conservação ambiental de florestas, rios e alagados.
Naquele final de século XX. Cancun estava inteiramente na moda entre os brasileiros. A Varig, inclusive, oferecia vôos diretos de Porto Alegre até lá. Você percebe que aquela ponta de uma península que avança pelo mar é uma verdadeira ilha da fantasia, logo que chega. A parte onde estão os grandes hotéis e as principais atrações turísticas, tem barreiras policiais na entrada como se aquele pedaço de terra fosse outro país.
A maioria dos mexicanos que você encontra, são empregados a serviço dos turistas, principalmente os norte-americanos.
Foi nessa ocasião que cumpre minha cota de turista ridículo. Lembro de dois eventos que não repetiria mais: um jantar num restaurante chamado Bogart, que pretendia imitar o clima do filme Casablanca, com comida ruim e preços muito caros e uma noite num navio de piratas. Obviamente, piratas fajutos, pagos para entreter os turistas.
Já que você está aqui, relaxa e aproveita, que ninguém vai ficar sabendo, foi a minha justificativa para esses programas.
Foi o que fiz e só agora, passados 20 anos, me animo a não só contar como mostrar uma foto para documentar o papel que interpretei de turista ridículo.



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