Semana passada estive em Florianópolis com a Silvana e como iríamos nos hospedar num hotel em Jurerê, imaginamos que seria melhor alugar um carro do que depender de um Uber.
Como estava há muito tempo sem dirigir, o carro serviria também para testar se eu continuava com os meus sentidos alertas e não cometeria nenhuma barberagem.
Alugamos um Gol branco no aeroporto e logo me dei conta que, se não era um ás no volante, continuava dirigindo com tranquilidade e respeito às leis do trânsito.
Na Beira Mar Norte, tínhamos uma parada prevista na Confeitaria Chuvisco para apanhar um bolo já encomendado.
O local é muito frequentado e só consegui estacionar duas quadras adiante.
Na saída, a Silvana, com o bolo nas mãos, fomos procurar pelo Gol branco. Fomos e voltamos pela avenida e nada do carro.
Lembrei dos velhos tempos de aluno do Julinho. Eu descia do bonde Floresta no abrigo da Praça XV, atravessava por uma porta e saía na frente da Galeria Chaves. Depois era passar pela galeria, sair na Rua da Praia e descer até a Caldas Júnior.
Só que um dia desci do bonde no Abrigo da Praça XV, passei pela porta, mas a Galeria Chaves não estava mais lá. Repeti duas ou três o percurso, a espera que, magicamente, a Galeria aparecesse. Deve ter sido na quarta ou quinta vez que me dei conta que pegava a porta errada e saia pela rua onde circulavam os bondes Glória e Partenon.
Agora, cinquenta anos depois eu repetia o processo, na expectativa que o Gol branco finalmente aparecesse como num passe de mágica. Deve ter sido na quinta vez, quando eu já considerava seriamente a possibilidade de que o carro tivesse sido roubado, quando a Silvana parou diante de Gol prata e disse:
Acho que é esse.
– Mas esse é prata e nosso é branco.
Experimentei a chave. Era o nosso carro. As nossas malas, inclusive, estavam lá. Um Gol prata e não branco como eu imaginava até então.
Pior se fosse um Gol vermelho e eu procurasse por Gol branco.



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