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Aconteceu em Floripa

Por Marino Boeira

Semana passada estive em Florianópolis com a Silvana e como iríamos nos hospedar num hotel em Jurerê, imaginamos que seria melhor alugar um carro do que depender de um Uber.

Como estava há muito tempo sem dirigir, o carro serviria também para testar se eu continuava com os meus sentidos alertas e não cometeria nenhuma barberagem.

Alugamos um Gol branco no aeroporto e logo me dei conta que, se não era um ás no volante, continuava dirigindo com tranquilidade e respeito às leis do trânsito.

Na Beira Mar Norte, tínhamos uma parada prevista na Confeitaria Chuvisco para apanhar um bolo já encomendado.

O local é muito frequentado e só consegui estacionar duas quadras adiante.

Na saída, a Silvana, com o bolo nas mãos, fomos procurar pelo Gol branco. Fomos e voltamos pela avenida e nada do carro.

Lembrei dos velhos tempos de aluno do Julinho. Eu descia do bonde Floresta no abrigo da Praça XV, atravessava por uma porta e saía na frente da Galeria Chaves. Depois era passar pela galeria, sair na Rua da Praia e descer até a Caldas Júnior.

Só que um dia desci do bonde no Abrigo da Praça XV, passei pela porta, mas a Galeria Chaves não estava mais lá. Repeti duas ou três o percurso, a espera que, magicamente, a Galeria aparecesse. Deve ter sido na quarta ou quinta vez que me dei conta que pegava a porta errada e saia pela rua onde circulavam os bondes Glória e Partenon.

Agora, cinquenta anos depois eu repetia o processo, na expectativa que o Gol branco finalmente aparecesse como num passe de mágica. Deve ter sido na quinta vez, quando eu já considerava seriamente a possibilidade de que o carro tivesse sido roubado, quando a Silvana parou diante de Gol prata e disse:

 Acho que é esse.

– Mas esse é prata e nosso é branco.

Experimentei a chave. Era o nosso carro. As nossas malas, inclusive, estavam lá. Um Gol prata e não branco como eu imaginava até então.

Pior se fosse um Gol vermelho e eu procurasse por Gol branco.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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