Comecei a conhecer e depois visitar seguidamente Pelotas porque minha mulher era de lá e seus parentes continuavam vivendo naquela cidade.
Logo Pelotas me chamou a atenção pelos seus prédios históricos que remetiam a um passado, onde era tão ou mais importante quanto a capital, Porto Alegre.
Enquanto a Fronteira construiu sua economia em cima do pastoreio, Pelotas se especializou na etapa seguinte, as charqueadas e com elas deu início a um processo de industrializou da carne.
A Fronteira era um pouco bárbara, enquanto Pelotas era a civilização, com seu teatro 7 de Abril e suas casas senhoriais.
Os grandes artistas que iam de Buenos Aires para o Rio de Janeiro, paravam em Pelotas e não em Porto Alegre.
Quando a conheci, esse brilho do passado, já tinha desaparecido em grande parte, mas Pelotas ainda se apresentava como aqueles nobres falidos que não perdem a pompa.
Era a Princesa do Sul e a capital da Fenadoce.
Depois vieram os historiadores (sempre eles) para desfazer o mito cheio de glamour da Princesa do Sul. Toda a sua riqueza, simbolizada pelas charqueadas, fora construída em cima do trabalho escravo dos negros.
E essas charqueadas, algumas delas transformadas hoje em pousadas turísticas, tiveram que arcar com essa triste imagem da terrível exploração de muitos seres humanos para que alguns poucos pudessem enriquecer.
Mesmo no futebol, onde os times como o Pelotas e o Brasil disputavam a supremacia do Estado com Inter e grêmio, hoje vivem uma decadência, que esperamos seja passageira.
É, infelizmente, dessa Pelotas despolitizada, que veio o atual governador, figura política menor, se comparada com pelotenses ilustres como Simões Lopes Neto, Alcides Cheuiche, Kleitom, Kledir e principalmente Vitor Ramil, que melhor do que ninguém cantou um símbolo da Satolep, em Joquim.



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