Colunas

Aconteceu em Pelotas

Por Marino Boeira

Comecei a conhecer e depois visitar seguidamente Pelotas porque minha mulher era de lá e seus parentes continuavam vivendo naquela cidade.

Logo Pelotas me chamou a atenção pelos seus prédios históricos que remetiam a um passado, onde era tão ou mais importante quanto a capital, Porto Alegre.

Enquanto a Fronteira construiu sua economia em cima do pastoreio, Pelotas se especializou na etapa seguinte, as charqueadas e com elas deu início a um processo de industrializou da carne.

A Fronteira era um pouco bárbara, enquanto Pelotas era a civilização, com seu teatro 7 de Abril e suas casas senhoriais.

Os grandes artistas que iam de Buenos Aires para o Rio de Janeiro, paravam em Pelotas e não em Porto Alegre.

Quando a conheci, esse brilho do passado, já tinha desaparecido em grande parte, mas Pelotas ainda se apresentava como aqueles nobres falidos que não perdem a pompa.

Era a Princesa do Sul e a capital da Fenadoce.

Depois vieram os historiadores (sempre eles) para desfazer o mito cheio de glamour da Princesa do Sul. Toda a sua riqueza, simbolizada pelas charqueadas, fora construída em cima do trabalho escravo dos negros.

E essas charqueadas, algumas delas transformadas hoje em pousadas turísticas, tiveram que arcar com essa triste imagem da terrível exploração de muitos seres humanos para que alguns poucos pudessem enriquecer.

Mesmo no futebol, onde os times como o Pelotas e o Brasil disputavam a supremacia do Estado com Inter e grêmio, hoje vivem uma decadência, que esperamos seja passageira.

É, infelizmente, dessa Pelotas despolitizada, que veio o atual governador, figura política menor, se comparada com pelotenses ilustres como Simões Lopes Neto, Alcides Cheuiche, Kleitom, Kledir e principalmente Vitor Ramil, que melhor do que ninguém cantou um símbolo da Satolep, em Joquim.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.