Em julho de 1951, meu pai veio transferido para Porto Alegre e finalmente eu começaria a estudar no famoso Colégio Estadual Júlio de Castilhos.
Na primeira semana de agosto, numa segunda-feira, acordei mais cedo e saí da minha casa na Rua Piauí, no Passo da Areia, para pegar o bonde na entrada da Vila do IAPI que me levaria para o primeiro dia de aula na primeira série do ginásio do Julinho.
Como ainda não conhecia bem a cidade, meu irmão Maurício, sete anos mais velho, foi encarregado de me deixar na porta da escola.
Descemos do bonde na esquina da Alberto Bins com a Rua da Conceição e viemos caminhando até o prédio do Julinho, na João Pessoa, onde hoje está a Faculdade de Economia da UFRGS.
A primeira aula seria com a professora Mariazinha. Só que ela não apareceu e no seu lugar veio o professor Paulo, de Educação Física, seu marido, para avisar que, como ela estava grávida, não daria aula naquele semestre.
Aí aconteceu uma coisa espantosa pra mim: um dos alunos se pôs a chorar convulsivamente.
Eu tinha aprendido de meu pai, que homem não chora e aquele menino, com 11 ou 12 anos, como eu, não parava de chorar.
Um colega novo me explicou a razão: ele é um menino muito tímido, que a professora Mariazinha protegia com o desvelo de uma mãe.
Não lembro se ele, mesmo com a falta da sua protetora, terminou aquele ano letivo. Sei que nos anos seguintes, já naquele prédio do Arquivo Público da Riachuelo, para onde o Julinho foi transferido depois do incêndio na sua casa tradicional da João Pessoa, nunca mais o vi.
Nunca esqueci seu nome, até porque ele depois ficou famoso na vida da cidade, atuando com destaque nos veículos de comunicação da RBS e chegando até a ser vereador em Porto Alegre.
Seu nome?
Paulo Santana.



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