Entrei no Peru, saindo de Copacabana, na Bolívia, contornando o Lago Tititica, o mais alto do mundo, com 3.812 metros acima do nível do mar.
O primeiro destino no Peru seria a cidade de Puno, à beira do Tititica, e a uns 50 quilômetros da fronteira boliviana.
No longo percurso que percorri de carro na Bolívia, entrando por Corumbá e passando por Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e La Paz, nunca deixei de dar “una propina para el te” aos guardas rodoviários,mas agora ao entrar no Peru imaginei que esse procedimento não se repetiria.
Não porque confiasse previamente nesse que parece ser um hábito de várias polícias rodoviárias dessa parte da América, mas pela recepção na fronteira.
Contrastando com o modelo boliviano, a primeira impressão dos serviços de fronteira do Peru, parecia indicar algo muito diferente.
Na aduana, o chefe do serviço fez questão de me alertar para o fato de que estando num carro estrangeiro, não precisaria ter um selo que os nacionais precisam levar no parabrisa.
Ele fez questão inclusive de me citar a lei que me dava essa garantia.
Foi assim confiante, que entrei no Peru e apresentei meus documentos na primeira barreira policial.
Quando o policial me inquiriu sobre o selo, eu lhe respondi com a informação que me foi dada na fronteira.
O policial foi então definitivo, dizendo que quem me dera a informação, mandava apenas na sua repartição, mas quem mandava nas rodovias era ele e sem o selo eu teria que dar meia volta.
Não adiantou inclusive o argumento de que, como ainda não passara por nenhum vila ou cidade peruana, não poderia ter adquirido o selo e que, logo que chegasse a uma, faria isso.
O acordo para ser liberado essa vez, foi bem mais alto do que “uma propina para el te”.
Deve ter sido suficiente para pagar um almoço.
Logo que cheguei a Puno, a primeira providência foi comprar o tal selo.
Puno é uma cidade de forte tradição inca e de outros grupos de indígenas peruanos. Tem cerca de 130 mil habitantes e está a 3.800 metros acima do nível do mar.
A grande atração de Puno são suas ilhas flutuantes no Lago Titica, a pouco mais de uma hora de barco do centro da cidade.
São pequenas ilhas feitas a base de totora, uma espécie de junco ou palha, que periodicamente precisa ser trocada.
Foram feitas no passado pela tribo dos Uros para fugir do assédio dos Incas, bem mais poderosos.
Hoje, os que ainda vivem nessas ilhas, se dedicam à venda de peças do artesanato indígena para os turistas.
Não tão famosa quanto a vizinha Cuzco, por causa das ruínas de Machu Picchu, Puno é também uma lembrança inesquecível para quem, como eu, andou por lá.



*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial