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Aconteceu em Saumur

Por Marino Boeira

A primeira vez que ouvi falar dessa pequena cidade francesa,  foi de um amigo dizendo que, quando esteve lá, visitou uma cantina que oferecia aos visitantes a melhor champagne da França como cortesia.

Como estava em Paris, pensei que valeria à pena ir a Saumur provar a tal champagne.A cidade está a quase 300 quilômetros da capital, no departamento de Maine-et-Loire, mas no TGV, o trem francês de alta velocidade, são pouco mais de duas horas de viagem. Dá pra ir e voltar no mesmo dia.

Foi o que fiz.

Saumur- li num guia turístico antes da viagem – tem pouco mais de 30 mil habitantes e é famosa por dois motivos: primeiro, o seu castelo, construído como uma fortificação no ano de 1.026 e reformado pelo Duque Luis I em 1367, que lhe deu o formato atual. Com Napoleão Bonaparte, o castelo virou uma prisão, mas hoje é um museu e a grande atração turística de Saumur.

O segundo motivo, que fiquei sabendo antes de embarcar no TGV, foi que Saumur foi uma das poucas cidades francesas que durante a Segunda Guerra resistiu aos nazistas e por isso recebeu em 1945 a Croix de Guerre pelo heroísmo dos seus defensores.

Sobre a tal cantina e sua champagne, o guia não falava nada.

Chegando à cidade e fazendo as visitas óbvias, perguntei pela tal cantina. Informaram que realmente havia uma, mas não sabiam sobre a degustação para os visitantes.

Fui conferir.

Ficava nos arredores da cidade, mas não muito longe. Era uma pequena cantina e realmente produziam algumas garrafas de champagne com um marca da qual eu nunca havia ouvido falar. Ofereceram uma taça para degustação. Não era nada especial, mesmo para alguém como eu que nunca fui um grande apreciador desse tipo de vinho.

Certamente, o pessoal da cantina esperava que eu comprasse algumas garrafas, o que obviamente não aconteceu.

Apenas agradeci – merci – e voltei rápido para a gare de Saumur para não perder o TGV de volta para Paris, onde poderia tomar un verre de vin rouge, que eu conhecia um pouco melhor que a tal champagne de Saumur.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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