Escrevi aqui uma crônica sobre o publicitário João Carlos Magaldi a quem Manoel Carlos me apresentou em 1964. Fomos mais que grandes amigos até a sua morte, em 1996.
Aquela crônica me devolveu, por e-mail, uma das heranças afetivas que o “Barba” me deixou: sua filha Mônica Magaldi Suguihura, hoje residente no interior paulista. Ela me encaminhou “202 programas para se fazer
Nem vou falar do bauru do “Ponto Chic”, mas outro programa. “Festa de Arromba”, no Hotel Cambridge, leva-me para 1964, quando fugido do Sul no golpe, o Piratininga me fez estrear na publicidade. Fim de expediente, agência ao lado do hotel e do bar, para fugir do rush, nós dois íamos ouvir Alaíde Costa, no auge da carreira, festejando a bossa nova.
Ir aos jardins do Museu do Ipiranga leva-me ao baú, onde repousa um postal que Manoel Carlos mandou-me de lá, há décadas do século passado, registrando que São Paulo até tinha seus encantos; o Parque Ibirapuera foi criação de Niemeyer para os festejos de São Paulo quatrocentão, em 1954, ano antes da minha despedida da cidade vindo para o Rio; o Pátio do Colégio é o local onde Anchieta e Nóbrega resolveram criar a Paulicéia Desvairada, conforme Mário de Andrade; o Gigetto, restaurante, que desde 1940, ainda no endereço antigo da Rua Martins Fontes, tornou-se ponto obrigatório da classe teatral, foi palco de um beijo que ganhei da Cacilda Becker por ela haver visto “as meninas” do Equipe costurando as futuras poltronas do teatro; enfim, são tantas lembranças… Quem quiser receber os 202 programas com endereços, dicas, etc., meu e-mail está aí abaixo. É só pedir.
A história da pizza
A primeira cantina mesmo e pizzaria – a Castelões – é de 1929 e sua saga começa na Itália quando Lucca Siniscalchi veio para o Brasil e inaugurou uma das primeiras confeitarias italianas de São Paulo, a Confeitaria Guarany.
Uma geração depois, o filho Ettore abriu a Castelões, até hoje das mais famosas pizzarias de São Paulo. O filho, Emílio, veio ao Rio em 1950, para assistir a um jogo do Palmeiras (antigo Palestra Itália) no Maracanã, ficou indignado com a coisa que lhe serviram quando pediu uma pizza e, dois anos depois, com malas e panelas, desembarcava no Rio onde abriu no Leme, bem no começo da Atlântica, a Cantina Sorrento, reduto que ensinou o carioca a degustar a verdadeira comida italiana e que acabou virando ponto de artistas e jornalistas. Pioneiro no Rio, Emílio acabou sendo, também, pioneiro na Barra da Tijuca onde, no começo da praia, abriu a Tarantella, antes ainda de começar o boom imobiliário da região.
Quando em 1981 o jovem Ettore, filho do Emílio, abriu um pastifício na Barra, apenas cumpria a vocação colada no DNA. O pequeno pastifício ganhou mesas, agregou um restaurante ao negócio, ampliou-se com nova loja e vai bem, obrigado, onde comemoramos em maio passado os 28 anos da filha Carla.
Esse sobrenome – Siniscalchi – pede como acompanhamento um bom vinho italiano.
Este programa “Comer qualquer item do cardápio 100% árabe do Almanara da Rua Basílio da Gama…” obriga-me a contar que, em 1964, este fugitivo, já
Ele foi o ator principal de minha primeira direção
Naquele ano de 1964, Lilian ensaiava no TBC e Linneu traduzia textos literários, com a filha, a hoje atriz Júlia Lemmertz ao lado, no carrinho de bebê. Inesquecível a receita que batizei de “Ovos a Linneu Dias”. Ele colocava um pouco de óleo e sal numa frigideira, quebrava dois ovos, acendia o gás, deixava em fogo brando e voltava ao trabalho. Quando terminava de traduzir uma lauda, os ovos estavam prontos.
Na ocasião em que eu juntava os cacos do meu ego destroçado pela ditadura, ambos foram extremamente carinhosos comigo.
Eu já havia reencontrado o Almanara da Rua Basílio da Gama (havia outro na Rua 25 de Março) e convidei-os para um almoço, sem contar – não sei se continua assim – que o sistema da casa era uma sucessão de pratos, as delícias árabes. Eles se jogaram com tal apetite logo no primeiro prato que não agüentei e contei logo que vinha muita comida ainda, mas muita mesmo.
O programa de nº 68 da lista é “Ir às festas gênero ‘mamma mia’ das igrejas Achiropita…” leva a gente para o Bixiga, território de Adoniran Barbosa. Nesse momento é que o jornal digital, como Coletiva, bate o jornal impresso, pois pode oferecer, no mesmo espaço e na hora, o “grand final” para quem não conhece o encontro do Adoniran e da Elis Regina, no bar da Camel, no Bixiga, com surpreendente qualidade de imagem e de som.
Ouça agora, em www.almacarioca.net, “Iracema”, “Samba no Bixiga” e – em especial homenagem à minha colega Márcia Peçanha Martins e à sua turma de faculdade “Saudosa Maloca”.
Inté.

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