Sim. Podem falar à vontade de mim. Que eu sou aquela velha saudosista, que fico antenada nas datas festivas (nem tanto), ou aquela tia chata que sempre tem uma piada sem graça para contar (é a mais pura verdade) ou que o passar dos anos me deixou ainda mais emotiva (não nego). O fato é que ao fazer meu balanço financeiro (muito chique aposentada pobre com estes termos) percebi que estamos quase no final do ano. Como já escreveu nosso poeta Mario Quintana, “quando se vê, já são seis horas, quando se vê, já é sexta-feira, quando se vê, já é Natal, quando se vê, já terminou o ano”.
E vamos combinar não é mesmo meus leitores e minhas leitoras! Que ano mais complicadinho! 2020 havia sido, sem a menor dúvida, um dos piores da minha existência. Apesar de eu ter resistido aos dias e noites de confinamento, de ter visto tanto amigo (a) ou conhecido (a) ser vitimado pela Covid-19 e tantos mais entrarem em depressão profunda pelo isolamento, de acomodar em locais que nem sabia existirem a saudade imensa do meu núcleo familiar mais próximo, eu superei 2020. Mas pensei – porque ainda me banho em pequenas doses de otimismo – que 2021 seria melhor.
Não sei se foi melhor. Não sei se sofri menos. Nem se chorei menos porque as lágrimas secaram. Nem mesmo sei como classificar 2021. Mas, pelas notícias que acompanho nestes meus 595 dias de quase total isolamento (com pequenas saídas para resolver questões de saúde, período de internação na Santa Casa e uns dias para recuperar na casa do meu irmão), o povo brasileiro sofreu neste ano como nunca antes na história deste Brasil. Desemprego, fomes, inflação, fraudes e corrupção correndo soltas, feminicídios e mortes e mortes e muitas mortes.
Sei que a vacina contra o Coronavírus chegou – com um atraso inexplicável – e atenuou um pouco tanto sofrimento. Mas tal erro na condução da política de vacinação custou a vida de tantos e tantas. É muita dor. Muita comoção. Muita vontade, às vezes, de perder as estribeiras (se é que eu as tive alguma vez).
Talvez em 2021 algumas pessoas tenham aprendido a se preocupar um pouco mais com o próximo durante a pandemia, adotando medidas sanitárias e fazendo o uso correto da máscara. Talvez em 2021 o Alecrim Dourado tenha percebido que o mundo não é sua propriedade e que sua irresponsabilidade respinga na vida do outro. Talvez em 2021 tenha se iniciado um novo tempo de egos menos inflados e preocupação com o coletivo ampliado. É o que realmente acredito. Ou quem sabe, agora só me resta sonhar.


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