Não sei se agosto merece carregar, ano após ano, esta fama pejorativa de ser um mês tão agourento. E porque escolheram, justamente, o oitavo mês do calendário, para ser vítima de bullying constante. Para os outros meses, sobram associações carinhosas, até mesmo positivas, como maio, que é lembrado como o mês das noivas, mês das mães e de Maria. Ou junho, que é considerado o mês dos namorados, e janeiro, que é relacionado às liquidações, férias, veraneio, planejamentos do ano que se inicia. Coitado de agosto, que recebeu este nome (do latim Augustus), numa homenagem que o Imperador César Augusto fez para ele mesmo, o que já é esquisito, e é conhecido como o mês do azar, do desgosto e do cachorro louco.
Como sempre, mantive um relacionamento simpático com o oitavo mês, recorri ao Tio Google para saber o motivo destes apelidos dotados de muita energia negativa. Fiquei pasma ao saber que no mês de agosto aumenta a concentração de cadelas no cio, em função das condições climáticas. Com as cadelas no período fértil, os cachorros ficam loucos e brigam para conquistar a fêmea. Só isto já justificaria o apelido de mês do cachorro louco. Mas, para endossar melhor, diz a sabedoria popular que a luta feroz entre os machos em busca da fêmea faz com que a raiva, doença transmitida pela saliva canina, se espalhe mais. E os cachorros infectados pela raiva babam muito e ficam com aspecto de loucos.
Neste mês tão carregado de superstição e magia, alguns fatos históricos contribuem para atestar estas crendices. Em 1º de agosto de 1914 começou a Primeira Guerra Mundial; nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram atacadas pelos norte-americanos com bombas atômicas, o que provocou a morte de mais de 200 mil pessoas no fim da 2ª Guerra Mundial. E se isto ainda não fosse suficiente para reforçar a fama, Adolf Hitler se tornou o Líder de Estado da Alemanha, e no mesmo local, em 13 de agosto de 1961, começou a construção do Muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas partes.
Em Portugal, em tempos idos, as mulheres portuguesas evitavam se casar, no mês de agosto, porque essa era a época em que os navios de expedição saíam para explorar novas terras, e junto com eles levavam os maridos das moças. Pois, pois, em terras lusitanas, o ato de casar em agosto significava ficar só, sem lua de mel, e em alguns casos, até mesmo viúva. Já aqui no Brasil, o presidente Getúlio Vargas suicidou-se, com um tiro no peito, na madrugada de 24 de agosto de 1954. E, em razões ainda pouco explicadas, Jânio Quadros renunciou à Presidência da República em 25 de agosto de 1961.
Já tive alguns desgostos no mês de agosto. Alguns de maior relevância, outros nem me fizeram cosquinhas. Lágrimas então, nem pensar. E acumulei coisas boas no oitavo mês dos anos de minha já não tão curta vida. Foi lá em agosto, nas cansadas de 1985, numa manhã muito fria do dia 26, que nasceu o meu sobrinho e primeiro afilhado, o Rafael Martins Lopo, que sempre foi motivo de alegria. Afetuoso, na medida dele, e estudioso, na medida dos que querem crescer na profissão, o Rafinha sempre manteve atados os laços familiares. Neste agosto de 2011, ele não terá o meu abraço físico, pois estará em Buenos Aires, curtindo uma bolsa/pesquisa até novembro. E eu enojada da tanto orgulho.
Sei que ainda falta tempo. Sei que nos falaremos no Face Book e em outras redes sociais. Sei que já dei um apertado abraço no sábado passado antes dele partir. Mas nada melhor do que os filhos (as), sobrinhos (as) e afilhados (as) para ajudarem a escrever dias mais felizes nas nossas vidas. Para mostrar que nem todos os agostos são dos cachorros loucos e nem todos são tão cheios de desgostos.

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