Nasci na Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Estudei a vida toda no Colégio Farroupilha e, daí, fui para a Ufrgs. Minha formação, portanto, foi no Rio Grande do Sul. Sou gaúcho de nascimento e de crescimento, mas não espalhem porque sou modesto também.
Ser gaúcho é um estado de espírito.
É curtir a ideologia do frio.
É veranear no Rio Grande e enaltecer a infra-estrutura das praias do Estado, considerando-as melhores que as de Santa Catarina. Haja cara-de-pau, hein?
É acompanhar a briga do Juremir com o Verissimo e tomar partido. Sou Juremir nesta!
É reclamar da umidade e curtir o fogo da lareira para enfrentá-la.
É odiar o PT, e divertir-se com a lambança na qual o partido meteu-se.
É ser petista e acreditar que a crise é boa e que fará do PT um partido ainda melhor. Boa essa, não?
É não gostar de chimarrão, mas ficar indignado quando um “estrangeiro” fala mal dele.
É ser colorado e ficar irritado quando alguns incautos jornalistas paulistas sugerem tirar o Ronaldinho Gaúcho para arrumar lugar para o Robinho.
É, piamente, acreditar que o pôr-do-sol do Guaíba é o mais lindo do mundo.
É ficar arrepiado quando escuta o Canto Alegretense, embora nunca tenha estado no Alegrete.
É apreciar churrasco com cabernet sauvignon da Serra Gaúcha.
É não ser melhor nem pior que os demais brasileiros; apenas, diferente.
É ficar emocionado vendo a bandeira do Rio Grande do Sul nos jogos do Colorado e de outros times gaúchos fora do Rio Grande amado.
É andar pilchado na Semana Farroupilha. Ou não andar, e achar meio ridículo quem anda.
É discutir qual é a melhor música: “O Esquilador” ou “O Guri”. Esta é peleia braba! Eu sou mais de “Recuerdos da 28”.
É achar que o resto do Brasil não valoriza o suficiente a cultura gaúcha.
É ir à praia em Jurerê com chimarrão e garrafa térmica.
É discutir se é chimarrão ou mate.
É torcer para o Botafogo no Rio, porque era o time do Getúlio.
É cultuar o cavalo.
É achar a mulher gaúcha a mais linda do mundo. E não é?
É chorar copiosamente a morte do Brizola, sem nunca ter votado no PDT.
É ficar indignado com as sacanagens dos Cassetas acerca da masculinidade dos gaúchos. E cornetear qualquer bagual que tenha nascido em Pelotas.
É preferir Polar.
É ter brincado de forte apache quando era criança E ter no imaginário uma tropa de ossos.
É construir imaginário e ter orgulho de uma guerra que, numa versão otimista, terminou empatada. Para mim perdemos, mas que peleamos, peleamos!
Ser gaúcho é tudo isso e muito mais. É ter uma identidade cultural. Uma dicotômica visão do mundo.
Construir uma marca num ambiente destes é um desafio. Estabelecer uma relação profunda neste mercado nem sempre é fácil, mas quando se consegue um processo eficaz, a relação é muito mais perene.
Mãos à obra!

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